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The Art of Tomorrow is a free, online training program run by the Museum of Tomorrow through the Laboratory of Activities of Tomorrow, in partnership with the Ling Institute and presented by Santander. Aimed at artists, researchers, managers, and anyone interested in new inspirations, techniques, and technologies (modern and ancestral) applied to the arts and culture, the program was curated by Batman Zavareze and took place between April and May 2023, with a cycle of 18 free online investigative meetings. The second meeting of the Audiovisual module was led by Bebeto Abrantes – screenwriter, director of over a hundred television and film productions, curator, and professor. Bebeto opened the meeting with the idea of affecting and being affected as the poetic essence of all works of art, highlighting the interweaving of elements (image, sound, silence, spoken and written word) as the secret of audiovisual language. Based on this foundation, he presented three central themes: 1) Remix culture – a trend identified by the Moments of Innovation Remix website as one of the strongest for the future of art, requiring policies for the preservation of archives and a review of copyright laws. He exemplified this with the program Inéditas, Dispersas e Animadas (Canal Brasil), in which previously unreleased interviews with cultural journalists (Gal Costa, Roberto Menescal, Ferreira Gullar) were edited with animations, and with the documentary Nós que aqui estamos por vós esperamos (Marcelo Masagão, 1997), made entirely with archival images reinterpreted through montage and text. 2) New production models during the pandemic – he highlighted the feature film Me Cuidem (2020-2021), a process-film made entirely remotely, with 10 people filming themselves in quarantine, without a prior script, directed by phone and WhatsApp, and which incorporated online focus groups and the crew itself as characters after some people dropped out. He also presented the Filme Life project (communities of Maré and Paraisópolis), which combined home recordings, directed scenes and live performances (Ivan Lins, Leila Pinheiro, Gilberto Gil) in a hybrid structure between a closed film and a device open to new sessions. 3) Contemporary trends in Brazilian cinema – highlighted the emergence of indigenous cinema (Vídeo nas Aldeias, with over 30 years and 4,000 hours of footage, training filmmakers like Álvaro Tukano, whose worldview demands wide shots that integrate the forest), cinema by Black female directors (Yasmin Thainá, Milena Manfredini, with films like Cabelo Ruim that reverse body stigmas), cinema from the periphery (Dirlei Queiroz, with Branco Sai, Preto Fica and Mato Seco em Chamas, which inverts the monumental Brasília to show Ceilândia), LGBTQIA+ cinema (Bixa Travesti, by Kiko Goifman and Claudia Priscilla), and cinema outside the mainstream (the Cachoeira cycle in the Recôncavo Baiano region, with films like Café com Canela, and the first film made in Acre, Noites Alienígenas, by Sérgio de Carvalho). Bebeto also discussed hybridity (from Robert Flaherty's Nanook of the North, which staged scenes, to the contemporary cinema of Eduardo Coutinho, with its devices and conversational cinema, and Marcelo Gomes, with Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo, constructed with leftover footage). He defended the short film as a space for experimentation and audacity, and celebrated audience development initiatives such as the programming at Estação Botafogo (Rio de Janeiro), run by Cavi Borges, which screens Brazilian films in 35mm and fills theaters with young people. Finally, he summarized his speech with the idea that "the new eats the old and is voraciously contaminated by it" – a dialectical and anthropophagic relationship between permanence and reinvention. At the end of the online cycle, participants who attended at least two complete modules could register for the in-person residency at the Laboratory of Activities of Tomorrow.
O Arte do Amanhã é um programa de formação gratuito e online, realizado pelo Museu do Amanhã por meio do Laboratório de Atividades do Amanhã, em parceria com o Instituto Ling e apresentado pelo Santander. Voltado para artistas, pesquisadores, gestores e todos os interessados em novas inspirações, técnicas e tecnologias (modernas e ancestrais) aplicadas às artes e à cultura, o programa teve curadoria de Batman Zavareze e ocorreu entre abril e maio de 2023, com um Ciclo de 18 Encontros Investigativos online e gratuitos. O segundo encontro do módulo de Audiovisual foi conduzido por Bebeto Abrantes – roteirista, diretor de mais de uma centena de produções televisivas e cinematográficas, curador e professor. Bebeto abriu o encontro com a ideia de afetar e ser afetado como essência poética de toda obra de arte, destacando o trançado de elementos (imagem, som, silêncio, palavra falada e escrita) como o segredo da linguagem audiovisual. A partir dessa base, apresentou três eixos centrais: 1) Cultura do remix – tendência apontada pelo site Moments of Innovation Remix como uma das mais fortes para o futuro da arte, exigindo políticas de preservação de acervos e revisão das leis de direitos autorais. Exemplificou com o programa Inéditas, Dispersas e Animadas (Canal Brasil), no qual entrevistas inéditas de jornalistas culturais (Gal Costa, Roberto Menescal, Ferreira Gullar) foram editadas com animações, e com o documentário Nós que aqui estamos por vós esperamos (Marcelo Masagão, 1997), feito inteiramente com imagens de arquivo ressignificadas por montagem e texto. 2) Novos modelos de produção na pandemia – destacou o longa Me Cuidem (2020-2021), filme-processo realizado inteiramente a distância, com 10 pessoas se filmando em quarentena, sem roteiro prévio, com direção por telefone e WhatsApp, e que incorporou grupos focais online e a própria equipe como personagem após desistências. Também apresentou o projeto Filme Life (comunidades da Maré e Paraisópolis), que combinou gravações caseiras, cenas dirigidas e apresentações ao vivo (Ivan Lins, Leila Pinheiro, Gilberto Gil) em uma estrutura híbrida entre filme fechado e dispositivo aberto a novas sessões. 3) Tendências contemporâneas do cinema brasileiro – apontou a emergência do cinema indígena (Vídeo nas Aldeias, com mais de 30 anos e 4.000 horas gravadas, formando cineastas como Álvaro Tukano, cuja cosmovisão exige planos abertos que integrem a mata), do cinema de diretoras pretas (Yasmin Thainá, Milena Manfredini, com filmes como Cabelo Ruim que revertem estigmas corporais), do cinema de periferia (Dirlei Queiroz, com Branco Sai, Preto Fica e Mato Seco em Chamas, que inverte a Brasília monumental para mostrar Ceilândia), do cinema LGBTQIA+ (Bixa Travesti, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla), e do cinema fora do eixo (ciclo de Cachoeira no Recôncavo Baiano, com filmes como Café com Canela, e o primeiro filme feito no Acre, Noites Alienígenas, de Sérgio de Carvalho). Bebeto discutiu ainda o hibridismo (desde Nanook of the North, de Robert Flaherty, que encenava cenas, até o cinema contemporâneo de Eduardo Coutinho, com seus dispositivos e cinema de conversa, e Marcelo Gomes, com Viajo porque Preciso, Volto porque te Amo, construído com sobras de filmagem). Defendeu o curta-metragem como espaço de experimentação e ousadia, e celebrou iniciativas de formação de público como a programação da Estação Botafogo (Rio de Janeiro), comandada por Cavi Borges, que projeta filmes brasileiros em 35mm e lota salas com jovens. Ao final, sintetizou sua fala com a ideia de que “o novo come o antigo e contamina-se dele de forma voraz” – uma relação dialética e antropofágica entre permanência e reinvenção. Ao final do ciclo online, participantes com presença em pelo menos dois módulos completos puderam se inscrever para a residência presencial no Laboratório de Atividades do Amanhã.