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O Arte do Amanhã é um programa de formação gratuito e online, realizado pelo Museu do Amanhã por meio do Laboratório de Atividades do Amanhã, em parceria com o Instituto Ling e apresentado pelo Santander. Voltado para artistas, pesquisadores, gestores e todos os interessados em novas inspirações, técnicas e tecnologias (modernas e ancestrais) aplicadas às artes e à cultura, o programa teve curadoria de Batman Zavareze e ocorreu entre abril e maio de 2023, com um Ciclo de 18 Encontros Investigativos online e gratuitos. O primeiro encontro do módulo de Audiovisual foi conduzido por Sabrina Fidalgo – diretora e roteirista multipremiada, cujos curtas e médias-metragens (Black Berlim, Rainha, Alfazema) foram exibidos em mais de 300 festivais ao redor do mundo. Sabrina abriu o encontro com uma provocação central: a diferença entre cinema (obra artística, feita para a posteridade, que comunica por meio de imagens e planos pensados milimetricamente) e audiovisual (produto ou conteúdo descartável, pensado para consumo rápido e para plataformas como TikTok, Instagram e streaming). A partir dessa distinção, discutiu a crise do roteiro no Brasil, a importância do letramento cinematográfico (assistir filmes com consciência, estudar planos, ângulos e movimentos de câmera), e a necessidade de descolonizar as narrativas – questionando por que o cinema feito por pessoas brancas é chamado simplesmente de “cinema brasileiro”, enquanto o cinema feito por pessoas negras é racializado como “cinema negro”. Sabrina apresentou e leu com os participantes o material de apoio “Planos e movimentos de câmera” (distância: plano geral, plano médio, plano americano, primeiro plano, primeiríssimo plano, plano detalhe; ângulo: normal, plongée, contre-plongée, tilt, frontal, ¾, perfil, Costas; movimentos: fixa, panorâmica, chicote, traveling, grua, zoom, dolly zoom). Exemplificou com a abertura de Jackie Brown (Tarantino) como um traveling de perfil pode introduzir uma personagem sem necessidade de diálogos. Abordou a democratização do acesso ao audiovisual via celulares e softwares gratuitos, mas alertou que qualidade da narrativa depende da escrita (roteiro) e não do equipamento – e que é preciso ser inteligente para contar histórias compatíveis com os recursos disponíveis. Falou sobre seu processo de autodistribuição e autopromoção (“fingir até ser”, “me entrevistar”, usar redes sociais como ferramenta), e sobre seus próximos projetos: um documentário (com Globo Filmes, Canal Brasil e Fundação Rosa Luxemburgo) e o longa-metragem de ficção Carnaval. Ao final do ciclo online, participantes com presença em pelo menos dois módulos completos puderam se inscrever para a residência presencial no Laboratório de Atividades do Amanhã.
The Art of Tomorrow is a free, online training program run by the Museum of Tomorrow through the Laboratory of Activities of Tomorrow, in partnership with the Ling Institute and presented by Santander. Aimed at artists, researchers, managers, and anyone interested in new inspirations, techniques, and technologies (modern and ancestral) applied to the arts and culture, the program was curated by Batman Zavareze and took place between April and May 2023, with a cycle of 18 free online investigative meetings. The first meeting of the Audiovisual module was led by Sabrina Fidalgo – a multi-award-winning director and screenwriter whose short and medium-length films (Black Berlin, Rainha, Alfazema) have been screened at over 300 festivals worldwide. Sabrina opened the meeting with a central provocation: the difference between cinema (an artistic work, made for posterity, that communicates through meticulously planned images and shots) and audiovisual (a disposable product or content, designed for quick consumption and for platforms like TikTok, Instagram, and streaming). Based on this distinction, she discussed the crisis of screenwriting in Brazil, the importance of film literacy (watching films consciously, studying shots, angles, and camera movements), and the need to decolonize narratives – questioning why films made by white people are simply called "Brazilian cinema," while films made by Black people are racialized as "Black cinema." Sabrina presented and read with the participants the supporting material "Camera Shots and Movements" (distance: wide shot, medium shot, American shot, close-up, extreme close-up, detail shot; angle: normal, high-angle shot, low-angle shot, tilt, frontal, three-quarter shot, profile, back shot; movements: fixed, panoramic, whip shot, tracking shot, crane shot, zoom, dolly zoom). She exemplified with the opening of Jackie Brown (Tarantino) how a profile tracking shot can introduce a character without the need for dialogue. She addressed the democratization of access to audiovisual content via cell phones and free software, but warned that the quality of the narrative depends on the writing (script) and not the equipment – and that it is necessary to be intelligent to tell stories compatible with the available resources. She spoke about her self-distribution and self-promotion process (“fake it till you make it,” “interview myself,” using social media as a tool), and about her upcoming projects: a documentary (with Globo Filmes, Canal Brasil, and the Rosa Luxemburg Foundation) and the feature film Carnaval. At the end of the online cycle, participants who attended at least two complete modules were able to register for the in-person residency at the Laboratory of Activities of Tomorrow.