Informações gerais

Código
MDA.EXP.00002
Nome
Perimetral: vida e morte urbana
Perimetral
Perimetral: urban life and death
Perimetral
Descrição
A exposição é uma experiência sensorial que reúne vídeo, som e arquitetura a partir de imagens da implosão do elevado da Perimetral. A mostra é assinada pelo artista plástico Vik Muniz, pelo diretor da Conspiração, Andrucha Waddington, e pelos sócios do estúdio de criação SuperUber, Liana Brazil e Russ Rive.
The exhibition is a sensory experience that brings together video, sound, and architecture based on images of the implosion of the Perimetral elevated highway. The show is curated by visual artist Vik Muniz, the director of Conspiração, Andrucha Waddington, and the partners of the creative studio SuperUber, Liana Brazil and Russ Rive.
Tipo de Exposição
Exposição TemporáriaTipo de Exposição
Parceiro(s)
SuperUberOrganização
Russ RivePessoa
Eixo temático
ArquiteturaEixo temático

Conteúdo

Texto Curatorial

Uma veia nervosa de concreto foi extinta da região central do Rio de Janeiro, que volta a contemplar a Baía da Guanabara. Batizado oficialmente com o nome do ex-presidente do Brasil Juscelino Kubitschek, o Elevado da Perimetral passou, em questão de décadas, de marco urbanístico a monstrengo de cimento no meio da metrópole

Sua demolição incitou um “Fla-Flu” ferrenho. Muitos criticavam a construção e queriam seu fim. Ao mesmo tempo, outros eram contra a derrubada, por medo de que o trânsito carioca desse um nó ainda maior

Não teve jeito. Por decisão do prefeito Eduardo Paes, a partir de 2013 as toneladas de concreto e aço foram ao chão. Sua queda virou tema da exposição temporária “Perimetral”, no Museu do Amanhã, com a curadoria do artista Vik Muniz e diretoria artística de Andrucha Waddington.

Ex-símbolo

O gigante sinuoso de aço e cimento começou a ser planejado na década de 1940, quando o Rio ainda era a capital do Brasil e já dava indícios de que, anos depois, sentiria os reflexos do aumento da frota automotiva

O projeto saiu do papel em 1957 e a primeira parte do viaduto, interligando as avenidas General Justo e Presidente Vargas, foi inaugurada em 1960. O restante da Perimetral, da Praça Mauá até a Ponte Rio-Niterói, foi erguido ao longo de 18 anos e finalmente entregue em 1978. Mais de três décadas após os primeiros rascunhos do projeto, a Zona Sul carioca estaria ligada a dois dos principais acessos ao Rio - a Ponte e a Avenida Brasil

O atraso não impediu que a obra se tornasse, na época, símbolo da integração da Região Metropolitana do Rio de Janeiro e via de extrema eficiência

- A Perimetral acompanhou outros modelos correlatos no mundo de vias urbanas suspensas, voltadas a automóveis. Não havia ainda o predomínio do conceito de integração de modais, tal como hoje se afirma, e tampouco a preocupação com a sustentabilidade ambiental - afirma Paulo Knauss, professor de história da Universidade Federal Fluminense (UFF). - É um símbolo de outra época

Novos tempos

A ideia de dar fim à Perimetral não é nova. Surgiu com o ex-prefeito Luiz Paulo Conde (mandato de 1997 a 2001). Mas foi com a escolha do Rio como sede das Olimpíadas de 2016 que o plano de “matar” a via foi posto em prática. Um novo projeto viário foi desenvolvido em 2009 e licitado em 2010. Obras que substituiriam o tráfego pesado da Perimetral, como a Via Binário, foram feitas para que o viaduto fosse demolido

Alberto Gomes, presidente da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio (Cdurp), considera a queda da Perimetral um ponto de virada para que, segundo ele, as pessoas soubessem que a prioridade agora era a qualidade de vida em detrimento do transporte individual

- Foi um elemento de transformação da cidade, levando luz a locais que permaneciam escondidos até então. Estamos vendo resultados dessa demolição e revitalização já com a construção da Praça Mauá - explica. - A demolição da Perimetral é o recado do Rio para o resto do mundo de que é possível urbanizar de maneira sustentável

Para Knauss, é preciso tempo para ver, na prática, a expectativa de um modelo de urbanismo “onde as funções convivem lado a lado” na região portuária, ou seja, áreas comuns de trabalho, lazer e residência.

O historiador cita ainda a preocupação com a gentrificação, fenômeno social que acomete grandes cidades que passam por obras de infraestrutura

- Ainda precisamos aguardar para saber se as reformas urbanas atuais representam uma nova forma de pensar e estruturar a cidade ou se vamos continuar a assistir à expansão do modelo de exclusão social, que vai empurrando o indesejável para outras áreas mais distantes e cria melhores condições para expansão do capital imobiliário - diz Knauss


A concrete nerve center has been removed from the Guanabara Bay viewpoint in downtown Rio de Janeiro. Officially named after former Brazilian president Juscelino Kubitschek, the Perimetral Elevated Highway went, in a matter of decades, from an urban landmark to a concrete monstrosity in the middle of the metropolis.

Its demolition sparked a fierce "Fla-Flu" (a reference to the rivalry between Flamengo and Fluminense football clubs, used metaphorically to describe a heated debate). Many criticized the construction and wanted it demolished. At the same time, others opposed the demolition, fearing that it would further congest Rio's traffic.

There was no way around it. By decision of Mayor Eduardo Paes, starting in 2013 the tons of concrete and steel were brought down. Its fall became the subject of the temporary exhibition "Perimetral" at the Museum of Tomorrow, curated by artist Vik Muniz and with artistic direction by Andrucha Waddington.

Former Symbol

The sinuous giant of steel and cement began to be planned in the 1940s, when Rio was still the capital of Brazil and already showed signs that, years later, it would feel the effects of the increase in the automotive fleet.

The project left the drawing board in 1957 and the first part of the viaduct, connecting General Justo and Presidente Vargas avenues, was inaugurated in 1960. The rest of the Perimetral, from Praça Mauá to the Rio-Niterói Bridge, was built over 18 years and finally delivered in 1978. More than three decades after the first drafts of the project, the South Zone of Rio would be connected to two of the main accesses to Rio - the Bridge and Avenida Brasil.

The delay did not prevent the work from becoming, at the time, a symbol of the integration of the Metropolitan Region of Rio de Janeiro and a route of extreme efficiency.

- The Perimetral followed other related models in the world of elevated urban roads, aimed at... "It's a symbol of another era," says Paulo Knauss, a history professor at the Federal Fluminense University (UFF). "The concept of modal integration, as it is affirmed today, did not yet predominate, nor did it have the concern for environmental sustainability."

New times

The idea of ​​ending the Perimetral highway is not new. It emerged with former mayor Luiz Paulo Conde (term from 1997 to 2001). But it was with Rio's selection as the host city for the 2016 Olympics that the plan to "kill" the road was put into practice. A new road project was developed in 2009 and tendered in 2010. Works that would replace the heavy traffic of the Perimetral, such as the Via Binário, were carried out so that the viaduct could be demolished.

Alberto Gomes, president of the Urban Development Company of the Port Region of Rio (Cdurp), considers the demolition of the Perimetral a turning point, which, according to him, made people understand that the priority was now quality of life over individual transportation.

"It was a transformative element for the city, bringing light to places that remained hidden until then. We are already seeing the results of this demolition and revitalization with the construction of Praça Mauá," he explains. - The demolition of the Perimetral highway is Rio's message to the rest of the world that sustainable urbanization is possible.

According to Knauss, it takes time to see, in practice, the expectation of an urban planning model "where functions coexist side-by-side" in the port region, that is, common areas for work, leisure, and residence.

The historian also mentions the concern about gentrification, a social phenomenon affecting large cities undergoing infrastructure projects.

- We still need to wait to see if the current urban reforms represent a new way of thinking about and structuring the city, or if we will continue to witness the expansion of the social exclusion model, which pushes the undesirable to more distant areas and creates better conditions for the expansion of real estate capital - says Knauss.

Notas
Perimetral Video instalação imersiva Liana Brazil e Russ Rive, ao lado de Andrucha Waddington e Vik Muniz, criaram a primeira exposição temporária do Museu do Amanhã. A instalação artística é uma grande projeção imersiva, que forma um mosaico tridimensional com imagens da destruição da Perimetral, misturadas com rostos de pessoas com diferentes reações. As imagens impactantes compõe a abstração de um ciclo de destruição e renascimento. Momentos reais se tornam surreais, com imagens fragmentadas que criam uma experiência emocional sobre essa grande transformação urbana. Fonte: https://www.superuber.com.br/perimetral-1/
Perimetral Immersive Video Installation Liana Brazil and Russ Rive, alongside Andrucha Waddington and Vik Muniz, created the first temporary exhibition at the Museum of Tomorrow. The art installation is a large immersive projection that forms a three-dimensional mosaic with images of the destruction of the Perimetral highway, mixed with faces of people with different reactions. The impactful images compose the abstraction of a cycle of destruction and rebirth. Real moments become surreal, with fragmented images that create an emotional experience about this great urban transformation. Source: https://www.superuber.com.br/perimetral-1/

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