Exposição / Exposição Temporária

Conexão Oceano

2025-2026
Eixo temático
Link externo

Informações gerais

Código
MDA.EXP.00068
Nome
Conexão Oceano
Ocean Connection
Descrição
Uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário, criada em 2019 e alinhada à Década do Oceano. Uma das principais realizações do movimento é o Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental, uma ação premiada que valoriza e apoia a produção de conteúdo qualificado sobre a sustentabilidade do oceano.
An initiative of the Boticário Group Foundation, created in 2019 and aligned with the Ocean Decade. One of the movement's main achievements is the Ocean Connection Environmental Communication Grant, an award-winning initiative that values ​​and supports the production of high-quality content on ocean sustainability.
Tipo de Exposição
Exposição TemporáriaTipo de Exposição
Parceiro(s)
Museu do AmanhãOrganização
Eixo temático
Baía de GuanabaraEixo temático
CulturaEixo temático
NaturezaEixo temático

Conteúdo

Texto Curatorial

Da baía ao oceano

A relação entre a Baía de Guanabara e o Rio de Janeiro é ancestral: passando pelas cosmogonias indígenas tupinambás até a chegada da primeira expedição portuguesa, pelo desembarque forçado de povos africanos nos portos do entorno e, mais recentemente, pelas mudanças na região do Porto Maravilha, a baía se torna o fio condutor das maiores transformações da cidade. Essa interdependência encontra ecos, ainda, na dinâmica entre a baía e o Oceano Atlântico – uma verdadeira faca de dois gumes: a princípio um berçário vital para espécies oceânicas diversas em busca de nutrientes, esse vínculo é colocado em risco em decorrência do grau de poluição das águas.Refletindo sobre as interseções entre as práticas artísticas e as urgências climáticas, o Museu do Amanhã, em parceria com a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, comissionou trabalhos de cinco artistas. Camila Proto, Chris Tigra, iahra, Lucas Ururahy e Ygor Gama partem de suas pesquisas para tensionar as relações entre natureza e cultura, o individual e o coletivo, o humano e o mais-que-humano. Ao entrecruzarem ciência e ficção em suas investigações, o grupo nos lembra que só se pode estudar aquilo que primeiramente se sonhou. É ao alimentar as forças imaginativas do público que o Museu do Amanhã aposta no potencial de reconexão do humano com o oceano, pautando a sua defesa no resgate da memória que nos conecta.


From the Bay to the Ocean

The relationship between Guanabara Bay and Rio de Janeiro is ancient: from the Tupinambá indigenous cosmogonies to the arrival of the first Portuguese expedition, the forced landing of African peoples in the surrounding ports, and more recently, the changes in the Porto Maravilha region, the bay becomes the guiding thread of the city's greatest transformations. This interdependence also finds echoes in the dynamics between the bay and the Atlantic Ocean – a true double-edged sword: initially a vital nursery for diverse oceanic species in search of nutrients, this link is put at risk due to the degree of water pollution. Reflecting on the intersections between artistic practices and climate urgencies, the Museum of Tomorrow, in partnership with the Boticário Group Foundation for Nature Protection, commissioned works by five artists. Camila Proto, Chris Tigra, iahra, Lucas Ururahy, and Ygor Gama use their research to explore the tensions between nature and culture, the individual and the collective, the human and the more-than-human. By intertwining science and fiction in their investigations, the group reminds us that one can only study what one has first dreamed of. By nurturing the imaginative forces of the public, the Museum of Tomorrow bets on the potential for reconnecting humanity with the ocean, basing its defense on the recovery of the memory that connects us.

Palavra-chave
Notas
Conexão Oceano é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário, criada em 2019 e alinhada à Década do Oceano. Sua missão é estimular a comunicação sobre a importância da conservação marinha e costeira, conectando diversos públicos e promovendo a cultura oceânica. Uma das principais realizações do movimento é o Edital Conexão Oceano de Comunicação Ambiental, uma ação premiada que valoriza e apoia a produção de conteúdo qualificado sobre a sustentabilidade do oceano. A cada edição, o edital oferece bolsas para reportagens sobre diferentes temáticas, como a relação do mar com as mudanças climáticas ou com as práticas esportivas nos ambientes costeiros. A quinta edição, em 2025, inova ao focar na relação entre a conservação do oceano e a arte, contando com a cooperação da UNESCO e do Museu do Amanhã. Em ano de COP30 no Brasil, esta edição busca usar o potencial das manifestações artísticas para conectar e sensibilizar a sociedade para a causa ambiental, reforçando a conexão direta entre clima e oceano.
Conexão Oceano (Ocean Connection) is an initiative of the Boticário Group Foundation, created in 2019 and aligned with the Ocean Decade. Its mission is to stimulate communication about the importance of marine and coastal conservation, connecting diverse audiences and promoting ocean culture. One of the movement's main achievements is the Conexão Oceano Environmental Communication Grant, an award-winning initiative that values ​​and supports the production of high-quality content on ocean sustainability. Each edition of the grant offers scholarships for reporting on different themes, such as the relationship between the sea and climate change or with sports practices in coastal environments. The fifth edition, in 2025, innovates by focusing on the relationship between ocean conservation and art, with the cooperation of UNESCO and the Museum of Tomorrow. In the year of COP30 in Brazil, this edition seeks to use the potential of artistic expressions to connect and sensitize society to the environmental cause, reinforcing the direct connection between climate and ocean.
Ficha Técnica

iahra

iahra (1993, Rio de Janeiro) é artista visual. Iniciou seus estudos artísticos em cursos livres na Escola de Artes Spectaculu e na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, e é formada no curso técnico em Design de Moda pela Anhanguera e graduanda em Escultura na Escola de Belas Artes da UFRJ. Desenvolve sua prática com base numa poética topológica e em sua relação com elementos que evocam dobras, curvas, casulos, revestimentos e tramas. Ao trabalhar com diferentes materiais, suas obras evidenciam tensões entre matéria, forma, texturas e planos atravessadas por conceitos metafísicos, alquímicos e cósmicos. Foi residente do programa ELÃ, no Galpão Bela Maré (2022), e no programa de residência do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (2020). Dentre suas exposições individuais, destacam-se Aquilo que se tange, na Galeria Cavalo (Rio de Janeiro, 2024) e Outras Frequências, no Centro Cultural São Paulo (2024). Já entre suas exposições coletivas mais recentes, destacam-se Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon, no Museu das Favelas (São Paulo, 2025); Histórias da Diversidade, no Museu de Arte de São Paulo (MASP) (2024); Thorns, na Enrico Astuni Galleria (Bolonha, Itália, 2024); Raw, na parceria entre as galerias Fortes D'Aloia & Gabriel e HOA (São Paulo, 2024); Vida Transbordante e os Desejos do Mundo, no Solar dos Abacaxis (Rio de Janeiro, 2023); entre outras.

1993, São Gonçalo, RJ | vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ

Marés, da série cápsulas-casulos, 2025

Ferro soldado, vidro e água doce

Na série cápsulas-casulos, iahra realiza um processo investigativo sobre os cursos fluviais que formam o Rio de Janeiro, buscando evidenciar um corpo hidrográfico subterrâneo e, em muitos casos, poluído pela ação humana, para versar sobre dinâmicas de sobrevivência e morte biológica e poética. Tendo como ponto de partida a Região Metropolitana, seu lugar de origem e onde hoje vive e trabalha, a obra Marés, comissionada pelo Museu do Amanhã, inicia-se na coleta de água de dois rios que deságuam na Baía de Guanabara: o Jacaré, que nasce no morro do Elefante e entrecorta a favela homônima, e o Faria-Timbó, nascido nas proximidades de Inhaúma. Amostras de ambos são então encapsuladas em jarros de vidro e posicionadas em estruturas de ferro retorcidas para, logo em seguida, serem deslocadas e percorrerem um novo trajeto geográfico a partir do destino de suas esculturas; aqui situadas nos espelhos d’água do Museu. Os líquidos continuam a seguir seus caminhos ao longo do período expositivo, através dos ciclos de evaporação decorrentes do contato com o clima, proporcionando outros rumos e encontros para um corpo vivo que entrelaça a região carioca e nomeia o estado.

A relação entre movimento e forma também se impõe na ordem circular e emaranhada das hastes de ferro contorcidas que sustentam as cápsulas de vidro. Derivando de uma investigação que decorre de experimentações em torno do desenho e do corpo no espaço, a obra encontra ecos em escritos do pintor inglês William Hogarth (1697 – 1764) e do escritor alemão Goethe (1749 – 1832), que produziram reflexões estéticas atrelando padrões curvilíneos e serpenteantes a um princípio do belo e do gracioso. Para este último, a espiral foi compreendida como uma tendência natural, passível de ser encontrada na flora, tratando daquilo que “se aperfeiçoa, se reproduz e, como tal, é efêmero“. Tal conexão, ainda que altamente discutível diante de postulados científicos contemporâneos, é recuperada de maneira livre e poética por iahra, que busca, no tensionamento de objetos rígidos e resistentes, como os vergalhões de ferro, a produção de uma forma sedutora, orgânica e coreográfica. Aproximados de elementos frágeis e maleáveis, como o vidro, a dicotomia material estabelece um equilíbrio entre a estabilidade e a incerteza, caminhando, ainda, em direção à metamorfose, como é o caso dos vetores que circunscrevem os movimentos das águas contidas.

Ao evidenciar e refletir sobre os ciclos relativos aos fluxos das marés, as relações entre o trânsito dos corpos e seus reflexos na água, o entrelaçamento de forças entre corpo e espaço, iahra propõe novos vínculos éticos e sensoriais com o mundo mais-que-humano. Ao tensionar equilíbrio, gravidade, movimento e forma, Marés torna visíveis as forças físico-químicas que regem os corpos terrestres, permitindo aos visitantes acompanharem, dia a dia, as mudanças de sua escultura viva. Instaura-se aqui, citando a filósofa Leda Maria Martins, um tempo “ontologicamente experimentado como movimentos contíguos e simultâneos de retroação, prospecção e reversibilidades, dilatação, expansão e contenção, contração e descontração, sincronia de instâncias compostas de presente, passado e futuro” (MARTINS, 2021).

Lucas Ururahy

Lucas Ururahy (1988, Rio de Janeiro) é artista visual. Formado pela Escola Livre de Artes ELÃ, do Galpão Bela Maré, e pelo programa Formação e Deformação, da Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Cursa atualmente Licenciatura em Artes Visuais na Universidade Paulista. Neto de fabricante de barcos, carrega nas veias a memória das águas. Sua trajetória artística se inicia nas ruas, encontrando na arte urbana, na pichação e no muralismo sua primeira escola, onde começa a desenvolver uma relação profunda com o território, seus símbolos e seus conflitos. Tais investigações desdobram-se em meios como a pintura, a escultura, a performance e a instalação, incursionando também em questões relativas à ecologia, à ancestralidade e às urgências de corpos periféricos. Dentre suas exposições individuais, destacam-se Tocando o barco, no MAC Niterói (Rio de Janeiro, 2024); Chama Maré, no Museu Bispo do Rosario (Rio de Janeiro, 2024); O ser ancestral, na Fábrica Bhering (Rio de Janeiro, 2018); e Flor e ser, no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno (Rio de Janeiro, 2017). Já em exposições coletivas, destacam-se: Afro Brasilidades, na Fundação Getúlio Vargas (Rio de Janeiro, 2025); Abre Alas 20, na galeria A Gentil Carioca (Rio de Janeiro, 2025); Contemporâneo Ancestral, no Museu da História e da Cultura Afro-brasileira (Muhcab) (Rio de Janeiro, 2023); Festival Escuta, no Instituto Moreira Salles (Rio de Janeiro, 2023), entre outros.

1988, Sepetiba, RJ | vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ

Tocando o barco 2, 2025

Madeira, tinta acrílica, tinta spray sobre madeira, PVC, alumínio, plástico e aço

Tambores e tubofones transformam um barco de pesca em uma instalação sonora interativa em Tocando o barco 2. O barco troca as águas pelas ruas e costura a sabedoria dos mares à cultura urbana por meio da criação de um ambiente sensorial. Construída a partir de materiais reaproveitados e elementos náuticos, a peça toma as formas e cores da pesquisa visual do artista, que fusiona a linguagem e as cores do grafite aos deslocamentos simbólicos da arte contemporânea.

Apesar de funcionar como objeto autônomo, a instalação prevê uma série de ativações que visam instaurar um espaço de troca cultural: em encontros que reúnem musicistas, poetas e artistas visuais, Tocando o barco 2 assume o formato de uma jam session, em que ritmos musicais como o jazz, o rap, a poesia falada, o funk carioca, o samba e sons cotidianos se fusionam. Em “rituais de invenção", os encontros unem som, palavra e corpo ao promover a atenção, a escuta e a criação colaborativa, princípios norteadores da prática da pesca, como experiência sensível. Ao reunir as linguagens da pintura, da poesia e da música, Ururahy persegue a construção de uma obra sinestésica, polissêmica e democrática.

Ygor Gama

Ygor Gama (1988, Pernambuco) é designer de imagem e som pela Universidade de Buenos Aires, na Argentina. Após dezessete anos em Buenos Aires e Berlim, regressou ao Brasil e ao Rio de Janeiro em 2023, onde fundou a produtora Cinema do Futuro. Realizou performances e instalações de vídeo em várias cidades – Kiev, Beirute, Viena, Poznań, Buenos Aires – explorando novos formatos para a imagem em movimento atrelados a investigações sobre identidade, gênero e deslocamento. Seu primeiro curta-metragem, Leaving, foi gravado em celulares, estreou no BAFICI e ganhou o prêmio internacional no Festival de Cinema de Viña del Mar, no Chile, em 2012. Em seguida, dirigiu #YA, sobre desobediência civil em espaços urbanos e digitais, apresentado na 65ª Berlinale, na BFI London, no FNC Montreal, no Canal Arte, entre outros (2015-2016). Foi artista residente na Villa Waldberta (AIR Munich, 2022) e no Museu do Amanhã (Tecnologias Afetivas, Rio de Janeiro, 2024), onde desenvolveu Save the Dance – um road movie em paisagens digitais (Animação 3D, com estreia prevista para 2026, via SESC Pulsar). O seu próximo filme, Around the #Sun, recebeu prêmios de desenvolvimento do FIDBA (Argentina), do Sheffield Doc Fest (Reino Unido), do Bio Bio (Chile) e do FAM (Brasil) em 2025.

1988, Recife, PE | vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ

Em busca de um milagre, 2025

Vídeo-performance em 360° (17’), óculos de realidade virtual, vela de barco em dacron, bancos

Uma pequena embarcação revela o oceano do Rio de Janeiro em Em busca de um milagre, videoperformance em realidade aumentada do artista Ygor Gama. A perambulação marítima revisita o fim da vida do consagrado artista da performance Bas Jan Ader (1942 – 1975), em particular o episódio ocorrido em 1975, quando o holandês decide zarpar de Massachusetts com destino a Londres e, em seguida, à Holanda. A travessia – de mesmo título da obra comissionada de Ygor Gama – tornaria aquele o menor veleiro a cruzar o Atlântico, na época, caso sua missão fosse bem-sucedida. Embora o seu barco tenha sido recuperado dez meses mais tarde por uma outra navegação, seu corpo jamais foi encontrado.

O ímpeto romântico e sonhador de Ader é reencarnado por Ygor, que ao longo de meses se propôs a aprender a nadar – uma falta de habilidade tornada temor após um evento traumático em um acidente marítimo – como maneira de propiciar cruzamentos com os saberes e as economias que orbitam as águas cariocas. Conversas com cientistas, oceanógrafos, geógrafos, barqueiros, velejadores e mergulhadores precedem a experiência do vídeo apresentado, no qual o artista parte da região da Baía de Guanabara em direção às Ilhas Cagarras, onde um corpo à deriva no mar se funde com a paisagem local enquanto navega pelas afluências e movimentações das correntes.

Se flutuar em águas profundas remete à própria atividade do artista, cujo corpo deve se sujeitar às mudanças das ondas sem afundar, o ato também propõe uma reflexão sobre a luta coletiva da humanidade contra um dos principais sintomas do aquecimento global: a elevação dos mares – que, em pontos específicos do globo, já ultrapassa quinze centímetros de aumento, colocando em risco a existência em terra firme. Por entre o equilíbrio tênue da cena, a lembrança daqueles que sucumbiram no passado e dos que hoje resistem no contato com o oceano, o direito ao sonho se torna o motor poético que entrelaça as obras do pernambucano e do holandês.

Produção Executiva: Lorena Pazzanese; Assistência: Alan Athayde; Produção Técnica (Realidade Virtual): Matheus Mendes; Velejador: Valdécio Cézar da Silva (Mestre César)

Chris Tigra

Chris Tigra (São Paulo) é artista multidisciplinar. É pós-graduada em Artes Plásticas e Contemporaneidade pela Escola Guignard – Universidade Estadual de Minas Gerais. Em seus trabalhos, investiga as relações entre memória, contemporaneidade e meio ambiente, com foco em técnicas e tecnologias de existência ancestral. Seu percurso tem contemplado a busca da identidade brasileira a partir da herança de uma diáspora africana marcada pelo apagamento de suas origens. Traçando paralelos entre as complexas relações coloniais e pós-coloniais, sua pesquisa concentra-se em situações, experiências e realidades entre fronteiras, influenciadas pelo seu próprio corpo em movimento – filha de baiana com maranhense, nasceu na cidade de São Paulo e vive e trabalha em Belo Horizonte, MG. É provocadora do Quando Coletivo, onde, através da arte, imagina situações de prazer e liberdade junto a mulheres cis e transgênero em situação de trajetória de vida nas ruas. Foi contemplada em premiações como Prêmio Décio Novielo, Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, Salão de Arte Contemporânea de SBC. Participou de exposições no Brasil, na Coreia do Sul, no Peru e nos Estados Unidos. Dentre suas exposições individuais, destacam-se Recostura, na galeria Albuquerque Contemporânea (Belo Horizonte, 2023) e Recostura, no Centenário da Semana de Arte Moderna do Theatro Municipal de São Paulo (2022). Em exposições coletivas, destacam-se: Dona Fulô e Outras Jóias Negras, no Museu de Arte Contemporânea da Bahia (2025); Assento o Futuro em Preta Luminância, no Museu Casa Mário de Andrade (São Paulo, 2025); 9º Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, no Museu de Arte da Bahia (2024); e Constituinte do Brasil Possível, no Centro Cultural Correios (Rio de Janeiro, 2024) e no Conselho Nacional de Justiça em Brasília (2025), entre outras.

São Paulo, SP | vive e trabalha em Belo Horizonte, MG

Presenteda série Das histórias do mar tenho vivido, 2025

Fibra de Attalea funifera, bambu, latas de alumínio, pedras de reaproveitamento urbano, ossos calcificados, fragmentos, cordas e redes de pesca coletadas no mar.

Presente é uma instalação posicionada no espelho d’água do Museu do Amanhã, pensada por Chris Tigra como um espaço instalado ao lado do oceano Atlântico, em devoção às águas e aos antepassados africanos que chegaram por elas aqui, nesta região, pela rota transatlântica. O culto à memória é pontuado pela artista como um sentimento que celebra as altas tecnologias ancestrais e contemporâneas da cultura com a qual teve contato ao longo de sua trajetória. O trabalho, conduzido pelo gesto de suas mãos, traz amarrações, trançados, balangandãs e bordados manuais.

A forma da instalação é elaborada mediante o uso de fibras naturais e fragmentos encontrados nas águas, episódio tomado pela artista como um presente concedido pela divindade Yemanjá, rainha das águas em culturas iorubás e afrodiaspóricas. Complementam o trabalho as redes de pesca doadas por pescadores e marisqueiras de pequenas comunidades da Bahia e do Rio de Janeiro:  “São redes de pesca que já tocaram peixes e tempestades até se desgastarem com o tempo, sustentando famílias que ainda mantêm práticas tradicionais em sintonia com a natureza das marés”, conta a artista, que completa: “usei diferentes técnicas de tecelagem manual para dar novos sentidos à matéria, trabalhando com energia de presença, oferenda e proteção". Por fim, a inteligência do reaproveitamento de latinhas de alumínio foi aplicada nos balangandãs bordados, bem como em pequenas esculturas de ossos calcificados coletados à beira-mar, ambos oferecidos por Tigra como instrumentos sonoros para aquele que comanda os ventos.

Consultoria criativa e suporte técnico: Felipe Bardy (RJ); Colaboração bordados com anéis de latinha: Rejane Aleixo (PE); Assistência: Rose Ianareli (MG) 

Doação de redes de pesca usadas: Colônia de Pesca Z 01 (BA) e Marulho (RJ), pescadores e marisqueiras de comunidades independentes da Ilha de Itaparica (BA).

Camila Proto

Camila Proto (1996, Rio Grande do Sul) é artista e pesquisadora. É mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e atualmente doutoranda pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em seu trabalho, investiga escutas e escritas do mundo a partir de saídas de campo fabulativas. Com uma prática transdisciplinar e multimeios, seu esforço poético está em criar legibilidade ao que está latente, aos fluxos inaudíveis e às forças invisíveis que nos entornam e constituem. Foi indicada aos XIII e XVII Prêmios Açorianos de Artes Plásticas (2020 e 2024, Porto Alegre), na categoria “Destaque Jovem Artista”, e foi ganhadora do 6º Prêmio Aliança Francesa de Arte Contemporânea (2023, Porto Alegre). Dentre suas exposições individuais, destacam-se Maréeécrit, no Centre Intermondes (2024, La Rochelle, França), TERRALÍNGUA, no Museu de Arte do Rio Grande do Sul (2023); e Microerosões, na Galeria Refresco (Rio de Janeiro, 2021). Já em exposições coletivas, destacam-se: Deságua, no Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul (2024); Abre-alas 18, na Galeria A Gentil Carioca (2023, Rio de Janeiro); Campus Antropoceno, no Instituto Goethe (2022-2023); I Circuito Latino-americano de Arte Contemporânea (2021, Porto Alegre); Prêmio de Arte Contemporânea da Aliança Francesa (2019 e 2020, Porto Alegre), entre outros.

1996, Porto Alegre, RS | vive e trabalha no Rio de Janeiro, RJ

Escutatório da Guanabara, 2025

Impressão 3D em ABS de algas marinhas e aço galvanizado

O que acontece às margens de um ecossistema marinho continuamente silenciado pelo ruído intenso de uma cidade costeira? Partindo desta pergunta, a artista Camila Proto desenvolveu a escultura Escutatório da Guanabara, objeto composto por dois focalizadores sonoros que reverberam as escutas da Baía de Guanabara, às margens do Museu do Amanhã. Inspirado nas tecnologias de defesa acústicas inventadas durante o início do século 20, impulsionado pelo avanço tecnológico e militar propiciado pela Primeira Guerra Mundial, a artista reimagina a ferramenta propondo, através do exercício da escuta, não a medição, mas a fabulação: ao ouvir os sons dos barcos que ancoram na costa, dos pássaros que sobrevoam as águas e dos seres aquáticos que alçam à superfície, o visitante é convidado a ouvir a sinfonia da vida emaranhada – e, até mesmo, a imaginar sons de tempos e espaços ainda mais distantes.

O gesto de escuta aciona histórias em torno da baía, como a popularmente famosa sobre um “gigante adormecido” que repousa aflorante entre as águas cariocas; das histórias, saberes e rituais indígenas que povoaram a karióka; daqueles que habitam os ecossistemas marinhos e de todo um imaginário de um corpo aquático, acionando a memória das águas. Na varredura pelas flutuações sonoras que estende o campo auditivo das margens do Porto Maravilha até a Ponte Rio-Niterói, o passeio público do Museu do Amanhã converte-se em um espaço generativo de pesquisa voltado à escuta especulativa. O público é convidado a adotar uma postura investigativa, quase científica, em torno dos encontros sonoros somados às memórias individuais.

Produzido em carapaça feita de algas marinhas, o mobiliário urbano propõe a extensão do sentido da audição a partir do encontro entre espécies. Neste sentido, assim como a função das algas marinhas no ecossistema aquático – a saber, a absorção de compostos inorgânicos, bioadsorção, que retira de circulação metais tóxicos das águas, e a oxigenação, que devolve oxigênio –, o escutatório funciona como um filtro sensível, capaz de retirar o ouvinte do ruído da metrópole para prestar atenção ao corpo aquático em sua complexidade e mistério. Em contraposição às tecnologias de medição sonora de uso militar, em que a forma se ajusta à função, o corpo de Escutatório da Guanabara adquire, nesta simbiose, uma forma orgânica e rizomática, crescendo de forma esguia em direção ao tamanho humano.

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Texto Quando o Mar Inspira a Matéria, escrito pela Algaes4y

Esta escultura nasceu do encontro entre a força primitiva das algas, transformada pela Algaes4y em Algaplastic®, e a pesquisa poética de Camila Proto, que deu forma ao invisível.

As algas utilizadas são organismos ancestrais de enorme potência: crescem pela energia do sol, purificam os oceanos e capturam carbono em sua biomassa, carregando uma história que precede a humanidade.

O Algaplastic® é um biopolímero raro, pioneiro no mundo, produzido inteiramente a partir da Kappaphycus alvarezii. Sua matéria incorpora o carbono fixado no oceano e o converte em presença, textura e forma – unindo ciência, engenharia e regeneração ambiental.

Nesta obra, a biomassa que antes dançava com as marés torna-se um dispositivo acústico e participativo, que permite ao público prestar atenção ao que soa às margens desse ecossistema. Aqui, a Baía de Guanabara – continuamente silenciada pelo volume da cidade – é ouvida por meio do próprio organismo que a purifica. Impresso em 3D com Algaplastic®, o Escutatório da Guanabara (2025) aponta como técnica e sensibilidade coexistem na mesma matéria, revelando outras camadas de escuta e narrativa.

Este é um convite para escutar os sons ancestrais da baía, seu fundo mítico, geológico e ecológico – um escutatório feito de algas para ouvir o que ecoa desde antes mesmo do ruído da cidade: o além-paisagem sonoro da Guanabara.


iahra

iahra (1993, Rio de Janeiro) is a visual artist. She began her artistic studies in open courses at the Spectaculu School of Arts and the Parque Lage School of Visual Arts, and holds a technical degree in Fashion Design from Anhanguera and is currently studying Sculpture at the School of Fine Arts of UFRJ. She develops her practice based on a topological poetics and its relationship with elements that evoke folds, curves, cocoons, coverings, and weaves. Working with different materials, her works highlight tensions between matter, form, textures, and planes traversed by metaphysical, alchemical, and cosmic concepts. She was a resident artist in the ELÃ program at Galpão Bela Maré (2022) and in the residency program at the Museum of Modern Art of Rio de Janeiro (2020). Among his solo exhibitions, highlights include *Aquilo que se tange*, at Galeria Cavalo (Rio de Janeiro, 2024) and *Outras Frequências*, at Centro Cultural São Paulo (2024). His most recent group exhibitions include *Imaginação Radical: 100 anos de Frantz Fanon*, at Museu das Favelas (São Paulo, 2025); *Histórias da Diversidade*, at Museu de Arte de São Paulo (MASP) (2024); *Thorns*, at Enrico Astuni Galleria (Bologna, Italy, 2024); *Raw*, a collaboration between Fortes D'Aloia & Gabriel and HOA galleries (São Paulo, 2024); *Vida Transbordante e os Desejos do Mundo*, at Solar dos Abacaxis (Rio de Janeiro, 2023); among others.

A small boat reveals the ocean of Rio de Janeiro in *Em busca de um milagre*, a video performance in augmented reality by the artist Ygor Gama. The maritime wandering revisits the end of the life of the renowned performance artist Bas Jan Ader (1942 – 1975), particularly the episode that occurred in 1975 when the Dutchman decided to set sail from Massachusetts to London and then to the Netherlands. The crossing – of the same title as the commissioned work by Ygor Gama – would have made it the smallest sailboat to cross the Atlantic at the time, had his mission been successful. Although his boat was recovered ten months later by another voyage, his body was never found.

Ader's romantic and dreamy impulse is reincarnated by Ygor, who over the course of months set out to learn to swim – a lack of skill turned into a fear after a traumatic event in a maritime accident – ​​as a way to foster connections with the knowledge and economies that orbit the waters of Rio de Janeiro. Conversations with scientists, oceanographers, geographers, boatmen, sailors, and divers precede the experience of the presented video, in which the artist departs from the Guanabara Bay region towards the Cagarras Islands, where a body adrift at sea merges with the local landscape while navigating the ebb and flow of the currents.

If floating in deep waters alludes to the artist's own activity, whose body must submit to the changes of the waves without sinking, the act also proposes a reflection on humanity's collective struggle against one of the main symptoms of global warming: rising sea levels – which, in specific points of the globe, already exceed fifteen centimeters of increase, jeopardizing existence on land. Amidst the tenuous balance of the scene, the memory of those who succumbed in the past and those who resist today in contact with the ocean, the right to dream becomes the poetic engine that intertwines the works of the Pernambuco native and the Dutchman.

Executive Production: Lorena Pazzanese; Assistance: Alan Athayde; Technical Production (Virtual Reality): Matheus Mendes; Sailor: Valdécio Cézar da Silva (Master César)

Chris Tigra

Chris Tigra (São Paulo) is a multidisciplinary artist. She holds a postgraduate degree in Visual Arts and Contemporaneity from the Guignard School – State University of Minas Gerais. In her work, she investigates the relationships between memory, contemporaneity, and the environment, focusing on techniques and technologies of ancestral existence. Her trajectory has contemplated the search for Brazilian identity based on the heritage of an African diaspora marked by the erasure of its origins. Drawing parallels between complex colonial and post-colonial relations, her research focuses on situations, experiences, and realities across borders, influenced by her own body in motion – the daughter of a woman from Bahia and a man from Maranhão, she was born in the city of São Paulo and lives and works in Belo Horizonte, MG. She is a provocateur of the Quando Coletivo, where, through art, she imagines situations of pleasure and freedom alongside cisgender and transgender women whose lives are lived on the streets. She has received awards such as the Décio Novielo Prize, the Pierre Verger National Photography Prize, and the São Bernardo do Campo Contemporary Art Salon. She has participated in exhibitions in Brazil, South Korea, Peru, and the United States. Among her solo exhibitions, highlights include Recostura, at the Albuquerque Contemporânea gallery (Belo Horizonte, 2023) and Recostura, at the Centenary of the Modern Art Week at the Theatro Municipal de São Paulo (2022). In group exhibitions, noteworthy examples include Dona Fulô and Other.

Black Jewels, at the Museum of Contemporary Art of Bahia (2025); Settling the Future in Black Luminance, at the Mário de Andrade House Museum (São Paulo, 2025); 9th Pierre Verger National Photography Prize, at the Museum of Art of Bahia (2024); and Constituent Assembly of a Possible Brazil, at the Correios Cultural Center (Rio de Janeiro, 2024) and at the National Council of Justice in Brasília (2025), among others.

São Paulo, SP | lives and works in Belo Horizonte, MG

Present, from the series From the stories of the sea I have lived, 2025

Fiber of Attalea funifera, bamboo, aluminum cans, urban reuse stones, calcified bones, fragments, ropes and fishing nets collected at sea.

"Present" is an installation positioned in the reflecting pool of the Museum of Tomorrow, conceived by Chris Tigra as a space installed next to the Atlantic Ocean, in devotion to the waters and the African ancestors who arrived here, in this region, via the transatlantic route. The artist emphasizes the cult of memory as a sentiment that celebrates the advanced ancestral and contemporary technologies of the culture with which she has had contact throughout her career. The work, guided by the gesture of her hands, features bindings, braids, trinkets, and hand embroidery.

The form of the installation is crafted using natural fibers and fragments found in the waters, an event taken by the artist as a gift bestowed by the deity Yemanjá, queen of the waters in Yoruba and Afro-diasporic cultures. The work is complemented by fishing nets donated by fishermen and shellfish gatherers from small communities in Bahia and Rio de Janeiro: “These are fishing nets that have already touched fish and storms until they wore out over time, sustaining families who still maintain traditional practices in harmony with the nature of the tides,” says the artist, who adds: “I used different hand-weaving techniques to give new meaning to the material, working with the energy of presence, offering, and protection.” Finally, the ingenuity of reusing aluminum cans was applied to the embroidered trinkets, as well as to small sculptures of calcified bones collected by the sea, both offered by Tigra as sound instruments for the one who commands the winds.

Creative consulting and technical support: Felipe Bardy (RJ); Collaboration on embroidery with can rings: Rejane Aleixo (PE); Assistance: Rose Ianareli (MG)

Donation of used fishing nets: Fishing Colony Z 01 (BA) and Marulho (RJ), fishermen and shellfish gatherers from independent communities on Itaparica Island (BA).

Camila Proto

Camila Proto (1996, Rio Grande do Sul) is an artist and researcher. She holds a Master's degree in Visual Arts from the Federal University of Rio Grande do Sul and is currently a doctoral candidate at the Federal University of Rio de Janeiro. In her work, she investigates listening to and writing about the world through fabulative field trips. With a transdisciplinary and multimedia practice, her poetic effort lies in creating legibility to what is latent, to the inaudible flows and the invisible forces that surround and constitute us. She was nominated for the XIII and XVII Açorianos Awards for Visual Arts (2020 and 2024, Porto Alegre), in the category “Outstanding Young Artist”, and won the 6th Alliance Française Prize for Contemporary Art (2023, Porto Alegre). Among her solo exhibitions, highlights include Maréeécrit, at the Centre Intermondes (2024, La Rochelle, France), TERRALÍNGUA, at the Rio Grande do Sul Art Museum (2023); and Microerosões, at the Refresco Gallery (Rio de Janeiro, 2021). Her group exhibitions include: Deságua, at the Rio Grande do Sul Museum of Contemporary Art (2024); Abre-alas 18, at the A Gentil Carioca Gallery (2023, Rio de Janeiro); Campus Antropoceno, at the Goethe Institute (2022-2023); First Latin American Circuit of Contemporary Art (2021, Porto Alegre); Alliance Française Contemporary Art Prize (2019 and 2020, Porto Alegre), among others.

1996, Porto Alegre, RS | lives and works in Rio de Janeiro, RJ

Guanabara Listening Room, 2025

3D printing in ABS of seaweed and galvanized steel

What happens on the banks of a marine ecosystem continuously silenced by the intense noise of a coastal city? Starting from this question, the artist Camila Proto developed the sculpture Guanabara Listening Room, an object composed of two sound focalizers that reverberate the sounds of Guanabara Bay, on the banks of the Museum of Tomorrow. Inspired by the acoustic defense technologies invented during the early 20th century, driven by the technological and military advancements brought about by the First World War, the artist reimagines the tool, proposing, through the act of listening, not measurement, but fabulation: by listening to the sounds of boats anchoring on the coast, birds flying over the waters, and aquatic creatures rising to the surface, the visitor is invited to hear the symphony of intertwined life – and even to imagine sounds from even more distant times and spaces.

The act of listening triggers stories around it.

From the bay, like the popularly famous one about a "sleeping giant" that rests afloat among the waters of Rio; from the stories, knowledge, and indigenous rituals that populated the Carioca (Rio de Janeiro); from those who inhabit marine ecosystems and from an entire imaginary of an aquatic body, activating the memory of the waters. In the sweep through the sonic fluctuations that extends the auditory field from the banks of Porto Maravilha to the Rio-Niterói Bridge, the public promenade of the Museum of Tomorrow becomes a generative space for research focused on speculative listening. The public is invited to adopt an investigative, almost scientific, stance around sonic encounters combined with individual memories.

Produced in a shell made of seaweed, the urban furniture proposes the extension of the sense of hearing from the encounter between species. In this sense, just as the function of seaweed in the aquatic ecosystem—namely, the absorption of inorganic compounds, bioadsorption, which removes toxic metals from the water, and oxygenation, which returns oxygen—the Escutatório functions as a sensitive filter, capable of removing the listener from the noise of the metropolis to pay attention to the aquatic body in its complexity and mystery. In contrast to the sound measurement technologies used by the military, where form adapts to function, the body of Escutatório da Guanabara acquires, in this symbiosis, an organic and rhizomatic form, growing slenderly towards human size.

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Text When the Sea Inspires Matter, written by Algaes

This sculpture was born from the encounter between the primitive force of algae, transformed by Algaes4y into Algaplastic®, and the poetic research of Camila Proto, who gave form to the invisible.

The algae used are ancestral organisms of enormous power: they grow using the sun's energy, purify the oceans, and capture carbon in their biomass, carrying a history that predates humanity.

Algaplastic® is a rare, pioneering biopolymer produced entirely from Kappaphycus alvarezii. Its material incorporates the carbon fixed in the ocean and converts it into presence, texture, and form – uniting science, engineering, and environmental regeneration.

In this work, the biomass that once danced with the tides becomes an acoustic and participatory device, allowing the public to pay attention to what sounds on the shores of this ecosystem. Here, Guanabara Bay – continuously silenced by the volume of the city – is heard through the very organism that purifies it. 3D printed with Algaplastic®, the Guanabara Listening Room (2025) demonstrates how technique and sensitivity coexist in the same material, revealing other layers of listening and narrative.

This is an invitation to listen to the ancestral sounds of the bay, its mythical, geological and ecological background – a listening platform made of algae to hear what echoes from even before the noise of the city: the beyond-soundscape of Guanabara Bay.

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