No Brasil, todos os dias são jogadas fora 41 mil toneladas de comida, de acordo com estimativas da ONU. Isso daria para alimentar 25 milhões de pessoas. Paradoxalmente, o país ainda tem 3,4 milhões de pessoas subalimentadas. Novos padrões de produção e consumo, que minimizem os impactos ambientais e atendam às necessidades básicas da sociedade, são imprescindíveis para construir amanhãs mais sustentáveis.
CULTURA DO DESPERDÍCIO...
O Brasil é um dos países que mais desperdiçam alimentos no mundo - talvez um hábito nocivo de país tropical, onde "tudo o que se planta dá". Estima-se que metade sejam desperdiçados durante o manuseio; 30% sejam perdidos durante a colheita, e o transporte, 10% nas centrais de abastecimento e 10% nos supermercados e nas casas dos consumidores. Na imagem acima, melões encaixotados na Central de Abastecimento (Ceasa), em Irajá, no Rio de Janeiro, antes de serem distribuídos em feiras.
CONSUMO, LOGO EXISTO
Quais motivos levam alguém a consumir exageradamente, acima de suas necessidades diárias? A questão é complexa, mas a sociedade capitalista global incentiva o superconsumo. A humanidade necessita hoje de 1,5 planeta para manter seu padrão geral de consumo. Um quarto da população mundial que vive nos países desenvolvidos demanda nada menos do que três quartos dos recursos naturais do planeta. Conseguiremos aliar consumo sustentável com qualidade de vida, satisfação e respeito ao planeta? Acima, comerciantes e clientes numa das ruas mais movimentadas do Centro do Rio.
VEÍCULOS DESCARTÁVEIS
Somente em 2015, foram emplacados 2.569.014 veículos zero-quilômetro no Brasil. A frota mais do que dobrou em dez anos. Fora de circulação, os veículos mais antigos acabam indo parar em ferros-velhos. Você já imaginou que carros podem ficar tão rapidamente velhos quanto telefones celulares? Pois isso já é realidade e pode, muito provavelmente, virar o novo padrão da indústria automotiva. Montadoras vêm reduzindo o intervalo de lançamento de novas gerações de modelos de automóveis.
MONTANHAS DE LIXO
A geração de lixo no Brasil avançou cinco vezes mais em relação ao crescimento populacional de 2010 a 2014. Com poucas ações de reciclagem em vigor nos municípios, aterros sanitários recebem muitos materiais que poderiam ser reaproveitados. O Centro de Tratamento de Resíduos de Seropédica, no Rio, recebe 12 mil toneladas todos os dias, da capital e das cidades de Seropédica e Itaguaí. O resultado são enormes montanhas de resíduos - que recebem o tratamento ambientalmente adequado. O metano, gás altamente poluente liberado pela decomposição dos resíduos no aterro, é drenado até os flares, espécies de chaminés onde são queimados.
In Brazil, 41,000 tons of food are thrown away every day, according to UN estimates. That would be enough to feed 25 million people. Paradoxically, the country still has 3.4 million undernourished people. New production and consumption patterns that minimize environmental impacts and meet the basic needs of society are essential to building more sustainable tomorrows.
THE CULTURE OF WASTE...
Brazil is one of the countries that wastes the most food in the world – perhaps a harmful habit of a tropical country where "everything that is planted grows". It is estimated that half is wasted during handling; 30% is lost during harvesting and transportation, 10% in supply centers, and 10% in supermarkets and consumers' homes. In the image above, boxed melons at the Central Supply Center (Ceasa) in Irajá, Rio de Janeiro, before being distributed to markets.
I CONSUME, THEREFORE I AM
What motivates someone to consume excessively, beyond their daily needs? The issue is complex, but global capitalist society encourages overconsumption. Humanity today needs 1.5 planets to maintain its general consumption pattern. A quarter of the world's population living in developed countries demands no less than three-quarters of the planet's natural resources. Will we be able to combine sustainable consumption with quality of life, satisfaction, and respect for the planet? Above, merchants and customers on one of the busiest streets in downtown Rio.
DISPOSABLE VEHICLES
In 2015 alone, 2,569,014 brand-new vehicles were registered in Brazil. The fleet more than doubled in ten years. Out of circulation, older vehicles end up in junkyards. Can you imagine that cars can become as old as cell phones as quickly as they become obsolete? Well, this is already a reality and could very likely become the new standard in the automotive industry. Car manufacturers are reducing the interval between the launch of new generations of car models.
MOUNTAINS OF GARBAGE
Garbage generation in Brazil increased five times faster than population growth from 2010 to 2014. With few recycling programs in place in municipalities, landfills receive many materials that could be reused. The Seropédica Waste Treatment Center, in Rio de Janeiro, receives 12,000 tons every day from the capital and the cities of Seropédica and Itaguaí. The result is enormous mountains of waste – which receive environmentally appropriate treatment. Methane, a highly polluting gas released by the decomposition of waste in the landfill, is drained to flares, a type of chimney where it is burned.
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