O papel dos museus na garantia dos Direitos Humanos

10/12/2021
Eixo temático


"Todo ser humano, como membro da sociedade, tem direito à segurança social, à realização pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.”

O trecho acima foi retirado do Artigo 22 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, declarada e proclamada no dia 10 de dezembro de 1948 e que este ano completa 73 anos de existência. É preocupante que, mesmo após sete décadas, ainda caminhamos a passos lentos para garantir direitos básicos para a dignidade humana, temos populações inteiras que ainda sofrem discriminações por conta de sua raça, gênero, nacionalidade ou condição econômica. Falar sobre a importância dos Direitos Humanos se mostra urgente no contexto atual.

Neste sentido, os museus, além do lazer, têm um papel importantíssimo para a formação da consciência da comunidade em que estão inseridos, trazendo essas discussões para o contexto local e com políticas internas que reconheçam as exclusões raciais, sociais e de gênero. Museus são espaços de memória coletiva e reconhecer a história não contada de grupos excluídos das narrativas oficiais é entender de fato a própria história da sociedade em que vivemos e o que ainda precisa ser melhorado para que a caminhada para a igualdade seja acelerada. É papel deles, assim como de outros aparelhos culturais, proporcionar transformações sociais nas comunidades das quais fazem parte.

A exposição Fruturos — Tempos Amazônicos chega ao Museu do Amanhã no dia 17 de dezembro, trazendo a grandeza, biodiversidade e a diversidade social e cultural do bioma através de uma ambientação imersiva. A intenção é apresentar para o público do museu as diferentes configurações dentro da Amazônia, propondo um modelo de desenvolvimento baseado na ciência, nos saberes tradicionais e na conservação da floresta.

Muito além do apelo estético, Fruturos quer trazer para o público do Museu do Amanhã as discussões sobre o bioma e o impacto das transformações causadas pela exploração desenfreada de maneira lúdica e simplificada, estimulando reflexões sobre desenvolvimento sustentável. Não existe um amanhã sem o reconhecimento e a preservação dos saberes tradicionais de povos que já estavam aqui antes da colonização. Precisamos mais do que nunca reconhecer e cuidar dessa herança antes que seja tarde demais.



Por  Luana Génot,