Chourouk Hriech por Valentin Le Cron
No coração de Marselha, reside a artista franco-marroquina Chourouk Hriech, cuja paixão por explorar a interação entre cidade e floresta tem conquistado reconhecimento internacional. Com obras que combinam fotografias, desenhos e instalações in situ, Chourouk oferece uma perspectiva única sobre essa relação complexa. Recentemente, ela trouxe seu projeto para o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, onde encontramos um momento para conversar sobre suas inspirações e impressões. Nesta entrevista exclusiva, Chourouk compartilha suas reflexões sobre o “caos organizado” do Rio, a influência da natureza na arquitetura e a importância dos pássaros em seu trabalho.
Pergunta: Olá, Chourouk! É um prazer tê-la conosco. Você mencionou o “caos organizado” do Rio como algo que chamou sua atenção. Poderia nos falar mais sobre isso?
Chourouk: Certamente! Ao chegar ao Rio de Janeiro, imediatamente me deparei com um fenômeno fascinante: o que eu chamo de “caos organizado”. Essa expressão captura a essência do que estou explorando em meu projeto no Museu do Amanhã. O Rio é uma cidade que transmite uma sensação de movimento constante, mudando de aparência e atmosfera ao longo do dia e da noite. Essa instabilidade me tocou profundamente e tem sido uma fonte constante de inspiração para minha arte.
Pergunta: Em relação à sua obra, como você explora a relação entre a floresta e a arquitetura?
Chourouk: A relação entre a floresta e a arquitetura é uma temática central em meu trabalho. Existe uma interação intrínseca entre esses dois elementos. Por um lado, a floresta é um ecossistema natural, independente da influência humana. Por outro lado, a arquitetura é uma criação humana, moldada por nossas necessidades e pensamentos. O que acho particularmente interessante é a imaginação coletiva que permeia essa relação, transcendendo os limites que nos separam. Como seres humanos, estamos constantemente imaginando, projetando e nomeando coisas em nossa interação com a natureza. No entanto, muitas vezes nos tornamos inadequados em relação ao nosso ambiente, sentindo a necessidade de interferir e moldá-lo à nossa imagem.
Pergunta: Como você incorpora essas ideias em suas obras de arte?
Chourouk: Meu objetivo é criar uma sinfonia e uma coreografia através de meus desenhos, fotografias e instalações. Ao observar meus trabalhos, é possível reconhecer elementos familiares e reconstruir essas visões, esses mundos que atravesso. No entanto, também há espaço para dúvidas e interpretações abstratas. Essa tensão entre o reconhecível e o abstrato reflete a complexidade dessa relação entre cidade e floresta. Em última análise, quero que meus trabalhos transmitam a sensação de equilíbrio entre minha interpretação gráfica e o deslocamento de imaginações, tanto minhas quanto do público.
Pergunta: Você mencionou a presença dos pássaros em seu trabalho. O que eles representam para você?
Chourouk: Os pássaros têm sido uma figura essencial em minha arte há mais de duas décadas. Para mim, eles personificam a liberdade absoluta. Ao contrário dos seres humanos, os pássaros não precisam de passaportes ou vistos para explorar o mundo. Eles são como nuvens que flutuam livremente pelo céu. A figura do pássaro simboliza essa capacidade de escapar das limitações e fronteiras impostas pelo homem. Eles são uma inspiração constante em minha jornada artística.
As Plantas de Pérolas. Chourouk Hriech, 2023. Desenho preparatório para as telas exibidas no Museu do Amanhã, 2023
Através de sua perspectiva única e multifacetada, Chourouk nos convida a explorar a complexa relação entre cidade e floresta. Suas obras, uma combinação de desenhos, instalações e fotografias, capturam a essência do “caos organizado” encontrado no Rio de Janeiro. Ao mesclar o reconhecível com o abstrato, Chourouk cria uma sinfonia visual que nos faz refletir sobre nossa interação com a natureza e as fronteiras que construímos. Seus pássaros simbolizam a liberdade e a busca por um equilíbrio entre nossas criações e o mundo natural que nos cerca. Com sua voz artística distinta, Chourouk nos convida a repensar nossa relação com o ambiente e a explorar novas perspectivas sobre a interconectividade entre cidade e floresta.
A partir do dia 11 de Julho, O Museu do Amanhã, em parceria com o Consulado Geral da França e Goethe — Institut Rio de Janeiro, recebe a exposição — instalação Uma Cidade na Floresta, da artista franco-marroquina Chourouk Hriech.