ExhibitionEvent / Exposição Online

Rivers in extinction

18/10/2016
Theme
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General Info

Identifier
MDA.EXP.00081
Name
Rivers in extinction
RIOS EM EXTINÇÃO
Description
This virtual exhibition, titled "Rivers in Extinction," addresses the crisis of river systems on a global scale, analyzing the multiple vectors of anthropogenic pressure that compromise ecological integrity, biodiversity, and ecosystem services associated with rivers. The material is structured around four main themes: the alteration of sediment flows and cycles, the impact of large dams, industrial and agricultural pollution, and environmental disasters resulting from mining activity. The first theme documents how deforestation, agricultural expansion, and road construction have altered river sedimentation patterns worldwide. NASA satellite images show the progression of deforestation in Rondônia between 1975 and 2012, correlating it with increased erosion and sediment input into waterways. The collection explains the ecological consequences of these changes: excess sediment reduces light penetration, harming algae production, raising water temperature, and decreasing the oxygen available for fish reproduction; on the other hand, reduced sedimentation due to activities such as mining deprives ecosystems of essential minerals, nutrients, and organic matter. The second axis analyzes the impact of large dams, considered by the WWF as one of the main threats to rivers. The collection records that there are approximately 48,000 large dams (over 15 meters high) in operation worldwide, built at a rate of more than one per day over the last 60 years, with a lifespan between 50 and 200 years. The Three Gorges Dam on the Yangtze River (China) is presented as an example of a structure visible from space, while the Tapajós Complex and the Belo Monte hydroelectric plant in Pará illustrate the socio-environmental controversies in the Brazilian context, including the forced displacement of populations and the threat to Munduruku indigenous territories. The third axis addresses pollution as a factor of degradation, with emphasis on the Brazilian context. Data from the IBGE (Brazilian Institute of Geography and Statistics) positions the Tietê River (SP) as the most polluted in the country, followed by the Iguaçu River (PR/SC), Ipojuca River (PE), Sinos River (RS), and Gravataí River (RS). The collection documents that industrial chemical residues and agricultural pesticides are among the main agents of contamination, compromising the quality of water for human consumption and aquatic life. A study by SOS Mata Atlântica (2015) on 111 Brazilian rivers revealed that almost 25% had waters considered poor or very poor, and only 15% had good quality. The fourth axis is dedicated to the collapse of the Fundão dam in Mariana (MG), which occurred in November 2015, characterized as the largest environmental disaster in Brazilian history. The collection brings together photographic records by Bruno Veiga, taken in April 2016, documenting the impacts on the Gualaxo do Norte River (a tributary of the Doce River) and the district of Paracatu de Baixo. The images show the alteration of the sedimentation pattern, the formation of sandbanks, the destruction of homes and belongings, and the contamination that reached the mouth of the Doce River in Linhares (ES), flowing into the Atlantic Ocean. The material establishes a visual parallel with the city of Pompeii, evoking the "suspension" of time and the materiality of the objects buried by the tailings mud. The documentary collection also includes records of recovery initiatives, such as the "Cultivating Good Water" program in Paraná, which since 2003 has depolluted more than one hundred micro-basins of the Paraná River, and European examples of the depollution of the Thames (England) and Rhine (Germany) rivers. In contrast, the situation in Guanabara Bay (Rio de Janeiro) is presented as an unresolved challenge: after two decades and investments of R$ 4 billion, sewage treatment in its watershed does not exceed 35%, leaving most beaches unsuitable for swimming.
Exposição virtual, intitulada "Rios em Extinção", cujo acervo aborda a crise dos sistemas fluviais em escala global, analisando os múltiplos vetores de pressão antrópica que comprometem a integridade ecológica, a biodiversidade e os serviços ecossistêmicos associados aos rios. O material estrutura-se em quatro eixos principais: a alteração dos fluxos e ciclos sedimentares, o impacto das grandes barragens, a poluição industrial e agrícola, e os desastres ambientais decorrentes da atividade de mineração. O primeiro eixo documenta como o desmatamento, a expansão agropecuária e a construção de estradas têm alterado os padrões de sedimentação de rios em todo o mundo. Imagens de satélite da NASA evidenciam a progressão do desflorestamento em Rondônia entre 1975 e 2012, correlacionando-o ao aumento da erosão e do aporte de sedimentos aos cursos d'água. O acervo explica as consequências ecológicas dessas alterações: o excesso de sedimentos reduz a penetração de luz, prejudicando a produção de algas, elevando a temperatura das águas e diminuindo o oxigênio disponível para a reprodução de peixes; por outro lado, a redução da sedimentação por atividades como mineração priva os ecossistemas de minerais, nutrientes e matéria orgânica essenciais. O segundo eixo analisa o impacto das grandes barragens, consideradas pela WWF como uma das principais ameaças aos rios. O acervo registra que existem cerca de 48 mil grandes barragens (acima de 15 metros de altura) em operação no mundo, construídas a um ritmo superior a uma por dia nos últimos 60 anos, com vida útil entre 50 e 200 anos. A Usina de Três Gargantas, no rio Yangtze (China), é apresentada como exemplo de estrutura visível do espaço, enquanto o Complexo do Tapajós e a hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, ilustram as controvérsias socioambientais no contexto brasileiro, incluindo o deslocamento compulsório de populações e a ameaça a territórios indígenas Munduruku. O terceiro eixo aborda a poluição como fator de degradação, com ênfase no contexto brasileiro. Dados do IBGE posicionam o rio Tietê (SP) como o mais poluído do país, seguido pelos rios Iguaçu (PR/SC), Ipojuca (PE), dos Sinos (RS) e Gravataí (RS). O acervo documenta que resíduos químicos industriais e pesticidas agrícolas estão entre os principais agentes de contaminação, comprometendo a qualidade da água para consumo humano e a vida aquática. Estudo da SOS Mata Atlântica (2015) sobre 111 rios brasileiros revelou que quase 25% apresentavam águas consideradas ruins ou péssimas, e apenas 15% tinham boa qualidade. O quarto eixo é dedicado ao rompimento da barragem de Fundão em Mariana (MG), ocorrido em novembro de 2015, caracterizado como o maior desastre ambiental da história do Brasil. O acervo reúne registros fotográficos de Bruno Veiga realizados em abril de 2016, documentando os impactos sobre o rio Gualaxo do Norte (afluente do Doce) e o distrito de Paracatu de Baixo. As imagens evidenciam a alteração do padrão de sedimentação, a formação de bancos de areia, a destruição de moradias e pertences, e a contaminação que alcançou a foz do rio Doce em Linhares (ES), desembocando no Oceano Atlântico. O material estabelece paralelo visual com a cidade de Pompeia, evocando a "suspensão" do tempo e a materialidade dos objetos soterrados pela lama de rejeitos. O conjunto documental inclui ainda registros de iniciativas de recuperação, como o programa "Cultivando Água Boa" no Paraná, que desde 2003 despoluiu mais de cem microbacias do rio Paraná, e exemplos europeus de despoluição dos rios Tâmisa (Inglaterra) e Reno (Alemanha). Em contraste, a situação da Baía de Guanabara (RJ) é apresentada como desafio não superado: após duas décadas e investimentos de R$ 4 bilhões, o tratamento de esgoto em sua bacia hidrográfica não ultrapassa 35%, mantendo a maioria das praias impróprias para banho.
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Exposição OnlineExhibition Type
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Expandimos como espécie às margens de grandes rios. Deles,tiramos a água que bebemos, que usamos para cozinhar, nos banhar e fabricar diversos produtos. Parte de nossa eletricidade vem da força de suas águas. Mas nossa relação com os rios se tornou predatória. Muitas vezes, mortal. Conseguiremos,um dia, melhorá-la?

SOMOS UM PROBLEMA?

A Humanidade tem alterado os fluxos da Terra de muitas formas. A emissão de gases de efeito estufa contribui para o aumento da temperatura global. Os plásticos que usamos cotidianamente são quase onipresentes; a biodiversidade é profundamente afetada com a perda de biomas e mudanças na cadeia alimentar, provocadas por espécies invasoras na fauna e na flora. 

A ação humana é sentida também na forma como afetamos a vida e a dinâmica das águas. A erosão provocada pelo desmatamento tem alterado o padrão de sedimentação e o curso de muitos rios no mundo. A pesca com uso de redes altera também a sedimentação do solo dos mares - o contato de redes com o fundo dos oceanos agita os sedimentos depositados no leito dos mares.

O aumento ou diminuição na sedimentação pode ser bastante prejudicial a estes ecossistemas. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), mais sedimentos no fundo de rios e oceanos reduz a quantidade de luz necessária para a produção de algas, o que provocaria a elevação da temperatura das águas e redução do crescimento de vegetação.

Além disso, as populações de peixes também são afetadas, devido à diminuição de oxigênio disponível para reprodução, sem contar um risco maior enchentes. Por outro lado, uma sedimentação diminuída por culpa da mineração, por exemplo, pode prejudicar ecossistemas pela falta de minerais, nutrientes e matéria orgânica que eles transportam.

Um estudo recente de pesquisadores das Américas, Europa e Austrália mostra que o desflorestamento e o uso dos solos para pastagens de gado e plantações em larga escala têm aumentado os fluxos de sedimentos de muitos rios.

A construção de estradas tem provocado a erosão de superfícies e o desmoronamento de encostas em diversas regiões do planeta. O vídeo, feito com base nas imagens capturadas pelo satélite Terra, da NASA, mostra a progressão do desmatamento no estado de Rondônia entre 1975 e 2012.

GRANDES BARRAGENS 

A construção de barragens em rios é considerado um dos principais impactos em rios pelo mundo. Atualmente, existem cerca de 48 mil grandes barragens - ou com mais de 15 metros de altura - em funcionamento, segundo a organização não-governamental World Wildlife Fund (WWF). Essas estruturas são usadas para gerar eletricidade, irrigar grandes áreas, prover água potável e prevenir inundações. A maioria dos complexos foi construída nos últimos 60 anos, a uma velocidade de mais de uma grande barragem por dia. Cada uma delas deve durar entre 50 e 200 anos, interrompendo o transporte de sedimento para os oceanos.

A Usina de Três Gargantas, no rio Yangtze (China), é tão grande que pode ser vista do espaço.

Estas barragens também causam perdas para as populações e mudanças drásticas nos ecossistemas onde são instaladas. Por isto, muitos ativistas e pesquisadores questionam governos no mundo inteiro sobre o quão limpa seria a energia produzida por usinas hidrelétricas. No Brasil, a hidrelétrica de Belo Monte é objeto de grande controvérsia política e ambiental. A usina está sendo construída no rio Xingu nos arredores de Altamira, norte do Pará, onde mais de 500 famílias foram deslocadas para dar lugar à construção.

O projeto que prevê a construção de cinco usinas no rio Tapajós - Complexo do Tapajós, no estado do Pará - também tem gerado muita tensão entre comunidades Munduruku e governo brasileiro. No início de agosto de 2016, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) arquivou a concessão de licenciamento ambiental para a construção da usina de São Luiz do Tapajós, uma das hidrelétricas do Complexo. Além da inviabilidade ambiental, a obra alagaria uma aldeia Munduruku - o que é proibido pela constituição brasileira, que permite a remoção de indígenas de suas terras apenas em caso de catástrofes ou epidemias.

O fluxo reduzido de sedimentos de nascentes para os principais rios do mundo provoca, combinado à extração de água subterrânea, alta de hidrocarbonetos e sedimentos no fundo dos rios. Isso tem causado a rápida baixa de volume de muitos rios. O processo, iniciado na década de 1930, ocorre em velocidades maiores que o aumento do nível dos oceanos hoje. 

O Rio Colorado, após tantas barragens construídas ao longo de seu curso, não mais consegue desaguar no oceano Pacífico - termina a pouco mais de oito quilômetros do Mar de Cortez, no Golfo da Califórnia.

UMA QUESTÃO BRASILEIRA

No Brasil, poluição em grande quantidade e mudança de curso também são problemas enfrentados por grandes rios. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o rio mais poluído do país é o Tietê, em São Paulo. Ele é seguido pelos rios Iguaçu, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, o Ipojuca, que corta Pernambuco, o dos Sinos, que desemboca em Canoas (RS), e o Gravataí, que corta as cidades gaúchas de Canoas e Porto Alegre. 

Apesar da intensa poluição, ainda existem porções do curso do Tietê onde a água é limpa

O Rio Doce, que corta o Espirito Santo e Minas Gerais, e o Paraíba do Sul, que passa por Rio de Janeiro, São Paulo e Minas, também estão entre os dez mais poluídos do país. Resíduos químicos industriais e o uso de pesticidas na agricultura estão entre os maiores responsáveis pela degradação destes cursos d'água.

Em novembro de 2015, o Rio Doce também sofreu um grande impacto, resultante do maior desastre ambiental já ocorrido no Brasil. O rompimento da barragem de rejeitos de mineração do Fundão, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, contaminou suas águas e lançou uma grande quantidade de rejeitos que alcançou a foz do Doce no município de Linhares, no Espírito Santo, desembocando no Oceano Atlântico. Muitas pessoas que moravam nos arredores, como os habitantes de Bento Rodrigues, distrito de Mariana, tiveram suas casas e pertences destruídos. O padrão de sedimentação do Doce também foi alterado e bancos de areia restam em suas margens.

“Era como se Guliver tivesse passado um pincel com tinta vermelho-amarronzada pelas árvores”, observou o fotógrafo Bruno Veiga, ao registrar o impacto do rompimento sobre Paracatu de Baixo (MG), em abril de 2016

O rompimento da barragem do Fundão em Mariana (MG) afetou mais da metade do curso do Rio Gualaxo do Norte, afluente do Rio Doce

CAMINHOS POSSÍVEIS

Em março de 2014 e fevereiro de 2015, a organização não-governamental SOS Mata Atlântica analisou a qualidade da água de 111 rios brasileiros no Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. O estudo, lançado em 2015, mostrou que quase um em cada quatro rios tinha suas águas consideradas ruins ou péssimas – e só 15% tinha água de boa qualidade. 

No entanto, esforços de recuperação de cursos d’água mostram que um outro cenário é possível. A exemplo da despoluição de grandes rios europeus como o Tâmisa (Inglaterra) e Reno (Alemanha), uma parceria público-privada criou o programa “Cultivando Água Boa” no estado do Paraná. Desde 2003, o projeto já despoluiu mais de cem microbacias hidrográficas do rio Paraná, mais de 1.000 quilômetros de mata foram replantados e houve melhoras na rede de esgoto de quase 30 municípios. 

No Rio de Janeiro, a despoluição da Baía de Guanabara é um desafio ainda não superado. Em duas décadas, o governo do estado já colocou em prática dois programas para melhorar a qualidade ambiental da Baía, que recebe a contribuição de mais de 100 rios e canais localizados em 16 municípios, onde vivem quase 9 milhões de pessoas. O tratamento de esgotos em sua bacia hidrográfica não ultrapassa hoje os 35%. Já foram gastos cerca de R$ 4 bilhões, mas a maioria das praias da Baía continua impróprias para o banho.

Mas será que estes esforços terão efeito no tempo que precisamos? Em março de 1977, a Organização das Nações Unidas (ONU) reconheceu pela primeira vez que o acesso à água potável é um direito humano básico. O plano de ação resultante da Conferência da ONU sobre a Água diz que “todos os povos, seja qual for o seu estágio de desenvolvimento e as suas condições sociais e econômicas, têm direito a ter acesso a água potável em quantidade e qualidade igual às suas necessidades básicas”. Em 2010, a ONU reconheceu formalmente o acesso à água como um direito humano básico. Conseguiremos assegurá-lo para as próximas gerações?

Credits

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CEO: Ricardo Piquet

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Operations & Finance Director: Henrique Oliveira

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Exhibition and Observatory of Tomorrow Manager: Leonardo Menezes

Research and Writing: Meghie Rodrigues

Video Editing: Eduardo Carvalho

Text Editing: Emanuel Alencar

Photos: Gustavo Otero, Bruno Veiga, US Fish and Wildlife Service, US Geological Survey, Greenpeace, Fotos Públicas, National Aeronautics and Space Administration (NASA), Pixabay, Pedro Vásquez Colmenares, Leonid Yaitskiy, Eurico Zimbres, Luciano Silva, Rafa Tecchio, Gledson Agra de Carvalho, Deni Williams, Google Street View, Wikimedia Commons

Video: Greenpeace (modified) and Nasa.gov Video (via YouTube)


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Pesquisa e Redação: Meghie Rodrigues

Edição de vídeos: Eduardo Carvalho

Edição de textos: Emanuel Alencar

Fotos: Gustavo Otero, Bruno Veiga, US Fish and Wildlife Service, US Geological Survey, Greenpeace, Fotos Públicas, National Aeronautics and Space Administration (NASA), Pixabay, Pedro Vásquez Colmenares, Leonid Yaitskiy, Eurico Zimbres, Luciano Silva, Rafa Tecchio, Gledson Agra de Carvalho, Deni Williams, Google StreetView, Wikimedia Commons

Vídeo: Greenpeace (modificado) e Nasa.gov Video (via Youtube)

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