Museu do Amanhã reúne cientistas para criar nova exposição sobre a Amazônia

25/02/2022
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Quem visita a nova exposição temporária do Museu do Amanhã Fruturos - Tempos Amazônicos, que começou a ser desenvolvida em 2017, é surpreendido por uma narrativa sobre a complexidade biológica e social do maior bioma do mundo, a Amazônia.

Nos bastidores, dez cientistas participaram do desenvolvimento do conteúdo da exposição. Liderados por um dos principais especialistas em mudanças climáticas em todo o mundo, Paulo Artaxo, que é consultor-chefe de Fruturos, os especialistas escreveram artigos que garantem a credibilidade e o estado avançado de conhecimento das informações exibidas em textos de parede, interativos, jogos e em todas as outras experiências levadas ao público.

“Presente em oito países e um território que ocupa quase metade do Brasil, a Amazônia abriga atualmente mais de 30 milhões de pessoas, entre elas diferentes povos tradicionais, milhares de espécies de plantas e é uma das regiões mais biodiversas do planeta. Importante para o Brasil e para o mundo, os consultores e as consultoras que participaram do desenvolvimento de Fruturos são fundamentais para a qualidade das informações que já levamos para mais de 70 mil pessoas em menos de três meses”, explica Leonardo Menezes, diretor de Conhecimento e Criação do Museu do Amanhã.

Exposição leva ao público o conhecimento das ciências naturais e sociais sobre a Amazônia.

Ao longo de sete áreas, a mostra apresenta a grandeza, a biodiversidade e o conhecimento presentes no maior bioma tropical do mundo, propõe novas descobertas sobre a relação entre a floresta e o clima e evidencia o caráter urgente de sua conservação.

Para abordar esses temas, foi de extrema importância contar com consultores da região, como a Rita Mesquita, que se dedica à divulgação científica, extensão rural e popularização da ciência na Coordenação de Extensão do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). O diálogo com diferentes centros de pesquisa possibilitou que o Museu do Amanhã conhecesse ainda mais sobre os aspectos do bioma.

Em Amazônia Milenar, por exemplo, Marina Kahn, presidente do Instituto de Pesquisa e Formação Indígena (Iepé), realizou um aprofundamento sobre a história de ocupação da população indígena na região, a relação deles com a natureza e a diversidade cultural, além de seus desafios e a luta pela demarcação de suas terras. Já em Amazônia Secular, o professor e pesquisador do Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Francisco de Assis, compartilhou diversas informações e dados sobre a economia das populações tradicionais, que têm grande presença e importância para o desenvolvimento da Amazônia, devido ao crescimento de sua renda ser aliada com baixo impacto ambiental.

A área Amazônia Acelerada contou com o suporte de três consultores. O cientista e consultor-chefe Paulo Artaxo explicou sobre como a Amazônia e o clima global se influenciam, o aumento da temperatura no bioma provocado pelas mudanças climáticas, as mudanças e alterações na região, além de seu futuro climático. A ecóloga e pesquisadora do Museu Goeldi, Ima Vieira, trouxe detalhes sobre a conservação, desmatamento, degradação ambiental, queimadas e incêndios, e a resiliência da floresta amazônica. E o ecologista Paulo Moutinho, cofundador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), complementou com o valor que a floresta possui para o planeta, as ameaças que ela enfrenta, os motivos da destruição e suas consequências, e o que é possível fazer para reverter essa situação.

Por fim, em Amazônias Possíveis, o economista e professor Sênior do Programa de Ciência Ambiental do IEE/USP, Ricardo Abramovay, e Nurit Bensusan, pesquisadora do Instituto Socioambiental (ISA), destacaram os efeitos do desmatamento nas mudanças climáticas e na agricultura, e o desenvolvimento sustentável. Já o professor de ecologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Fabio Scarano, e Anna Carolina Aguiar, bióloga e pós doutoranda no Laboratório de Limnologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), relataram o contexto da Amazônia nas florestas tropicais do mundo e a diversidade de ecossistemas, espécies e genes presentes no bioma, além de questões econômicas e a lição que a maior floresta do mundo deixa para todos.

Sobre a exposição

Fruturos - Tempos Amazônicos é uma realização do Museu do Amanhã, gerido pelo Instituto de Desenvolvimento e Gestão e realizado pela Prefeitura do Rio. Apresentada pelo Instituto Cultural Vale, através da Lei de Incentivo à Cultura, a mostra tem parcerias do IPAM, AFP, Globo e Agência Sapiens. Saiba mais!



Por Davi Bonela, gestor de projetos, e Felipe Floriano, jornalista

Davi Bonela é gestor de projetos com ampla experiência em educação, ciência e cultura voltadas ao desenvolvimento sustentável. Atuou no Museu do Amanhã, Fiocruz e Academia Brasileira de Ciências, e hoje coordena projetos no CEBRI. Com trajetória internacional e parcerias com ONU, BID e empresas globais, lidera iniciativas estratégicas ligadas aos ODS, G20 e COP30.

Davi Bonela

Felipe Floriano é jornalista. Atuou  no Museu do Amanhã como  redator (2019–2021) e analista de desenvolvimento científico (2021–2023).

Felipe Floriano