Incerteza marca a percepção sobre o futuro, segundo pesquisa realizada pelo Museu do Amanhã durante a pandemia do novo coronavírus

24/07/2020
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Para mais de mil pessoas de todo país, a maior esperança é que a pandemia sirva de lição para a construção de um mundo mais justo; o maior medo é que novas pandemias aconteçam

O Museu do Amanhã realizou uma pesquisa sobre a percepção do seu público em relação ao futuro a partir da pandemia do novo coronavírus. Mais de mil pessoas de todo o país refletiram sobre a vida das pessoas, da sociedade e do meio ambiente até a próxima década.

“A pandemia alterou a rotina e o modo de vida de bilhões de pessoas ao redor do mundo. Essa pesquisa mostra que ela trouxe medos e incertezas, mas também esperanças pelo seu caráter pedagógico, capaz de prover importantes lições e aprendizados a partir deste difícil período”, comentou Alfredo Tolmasquim, diretor de Desenvolvimento Científico e Educação do Museu do Amanhã.

Pandemia provoca muita incerteza em relação ao futuro, principalmente entre mulheres e jovens

De acordo com a pesquisa, 93% do público do museu se sente informado sobre a pandemia do novo coronavírus. Entre eles, 18% se sentem excessivamente informados. A principal conseqüência desse excesso de informação é a ansiedade.

Os participantes disseram se informar principalmente pela imprensa tradicional, 71%. As outras fontes de informação mais citadas são os comunicadores digitais especializados em saúde ou ciência, 48%, órgãos oficiais internacionais, 46%, e órgãos oficiais nacionais, 42%.

Embora essas sejam fontes de informação que verificam os dados reportados, a pesquisa mostra que a pandemia do novo coronavírus impactou profundamente o grau de certeza das pessoas com relação ao futuro. Ao todo, dois a cada três entrevistados dizem que mesmo com essas informações, têm muita incerteza com relação ao futuro. Os dados mostram que as pessoas que se sentem mais incertas com relação ao futuro são aquelas que se disseram pouco informadas ou excessivamente informadas.

As mulheres se sentem mais incertas em relação ao futuro do que os homens. 44% delas reconhecem estar muito incertas, enquanto entre os homens este percentual é de 25%. Já entre quem indica ter incerteza com relação ao futuro a partir da ocorrência da pandemia destaque para os jovens entre 16 e 24 anos, 77% deles informam que estão incertos.

Existe também uma grande diferença entre o otimismo com relação ao futuro dos homens e das mulheres. Enquanto 24% das mulheres afirma estar otimista com relação ao futuro, entre os homens esse percentual é de 42%.

Esperança em um mundo mais justo, medo de novas pandemias

A pesquisa também abordou medos e esperanças do público a partir da pandemia. 95% dos entrevistados disseram que a ocorrência da pandemia causou pelo menos um medo com relação ao futuro. O principal medo é que novos vírus e pandemias se tornem freqüentes. Porém, o mais significativo é o medo de que essa pandemia não provoque nenhuma mudança na sociedade. Entre outros medos citados estão o do desemprego em massa, de crises econômicas e da intensificação das desigualdades sociais.

Já a principal esperança para o futuro mencionada pelos entrevistados é a de que esse período faça com que os diversos setores da sociedade se conscientizem e o utilizem como aprendizado, possibilitando reflexões que colaborem para a construção de um mundo mais justo. As outras esperanças citadas foram as de que se reforcem os hábitos solidários e os laços de convivência e união entre os seres humanos e a valorização da ciência e da tecnologia. 

 

Redução das desigualdades deve ser a prioridade dos governos e da sociedade até 2030

Os participantes da pesquisa também deram a sua opinião sobre quais desafios representados pelo Objetivos do Desenvolvimento Sustentável deveriam ser prioridade dos governos e da sociedade até 2030. Para o público, a principal prioridade social deve ser a redução das desigualdades sociais e econômicas (69%), seguido pela oferta de uma educação de qualidade para todos (65%) e também de saúde e bem-estar para todos (59%). Apesar disso, ao serem questionados, sobre as mudanças para os próximos 10 anos, 69% dos participantes da pesquisa não têm a expectativa de que a redução das desigualdades irá de fato acontecer até o início da próxima década.

Já os três desafios que devem ser prioridade dos governos e da sociedade em relação ao meio ambiente até 2030 foram água potável e saneamento para todos (64%), conservação e uso sustentável das florestas e demais biomas terrestres (56%) e produção e consumo sustentáveis (39%). As expectativas com relação à melhora desses desafios até 2030 indicam que apenas nos desafios produção e consumo sustentáveis e energia limpa e acessível para todos há uma maioria que acredita que estaremos mais próximos de sua solução em 2030, percentuais de 53% e 50.2%, respectivamente. No caso de água potável e saneamento para todos, apenas 43% acha que teremos alguma melhora ao longo dos próximos 10 anos.

Pandemia e visão de futuro

A pesquisa foi realizada pelo Museu do Amanhã nos meses de maio e junho de 2020 com o objetivo de analisar a percepção do público do Museu do Amanhã sobre o futuro a partir da pandemia do novo coronavírus, estimulando a reflexão dos participantes sobre temas relacionados à vida das pessoas, da sociedade e do meio ambiente conectados aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável. De natureza qualitativa e quantitativa, foi composta por 40 perguntas abertas ou fechadas, enviadas ao público do Museu por e-mail e disponíveis para resposta por meio da plataforma digital Typeform. Em função da adesão do público, a margem de erro da pesquisa é de 3%. O estudo foi desenvolvido pela Coordenação de Pesquisa do Museu do Amanhã.



Confira os resultados da pesquisa na íntegra



Por Alfredo Tolmasquim, Davi Bonela e Ruy Cotia.

Engenheiro Químico, com mestrado em Engenharia de Produção e doutorado em Comunicação pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pós-doutorado no Edelstein Center for the History and Philosophy of Science, Technology and Medicine da Hebrew University of Jerusalem.

Alfredo Tolmasquim

Davi Bonela é gestor de projetos com ampla experiência em educação, ciência e cultura voltadas ao desenvolvimento sustentável. Atuou no Museu do Amanhã, Fiocruz e Academia Brasileira de Ciências, e hoje coordena projetos no CEBRI. Com trajetória internacional e parcerias com ONU, BID e empresas globais, lidera iniciativas estratégicas ligadas aos ODS, G20 e COP30.

Davi Bonela

Estatístico formado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atualmente, é Analista de pesquisa e estatística na Firjan, atuando em todas as etapas das pesquisas institucionais da empresa, com maior foco no processamento de dados de pesquisa e criação de dashboards, para acompanhamento de indicadores.

Ruy Cotia