Esquenta COP: Inspirando Agentes para a Ação Climática

15/10/2024
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COP (Conferência das Partes) é o principal fórum internacional para discutir e negociar soluções para a crise climática. Desde sua criação em 1995, reúne governos, cientistas, sociedade civil e comunidades para definir metas e ações concretas que ajudem a conter o aquecimento global e reduzir as emissões de gases de efeito estufa​(Dia 03. Cultura e Clima…). Além de ser um espaço oficial para monitorar políticas climáticas, a COP também promove encontros paralelos que ampliam as discussões e fortalecem a cooperação internacional.

O Brasil está em uma posição estratégica para liderar essas discussões, principalmente com a COP30, que ocorrerá em Belém, em 2025​. Diante dessa responsabilidade, o Museu do Amanhã organizou o evento Esquenta COP: Emergência Climática em Pauta, um ciclo de debates e palestras que conecta a sociedade às pautas da COP. O objetivo foi mobilizar pessoas e setores em torno de questões urgentes, como transição energética, agricultura sustentável e a intersecção entre cultura e clima, promovendo um espaço de reflexão coletiva​.

A Conexão entre Clima, Cultura e Comunidade

O Esquenta COP destacou a necessidade de repensar a crise climática como uma crise multidimensional, que envolve tanto aspectos sociais quanto culturais. Para Thiago Jesus (People’s Palace Project) "pensar a crise climática, cultura e território é uma coisa só". Ele reforçou que enfrentar essa crise demanda respeito e reconhecimento das comunidades tradicionais, que já desempenham um papel essencial na preservação dos ecossistemas.

Marcele Oliveira é produtora cultural, comunicadora e ativista climática. Atual diretora executiva do Perifalab.

Marcele Oliveira

Marcele Oliveira (PerifaLab) acrescentou que "a crise climática é também uma crise de imaginação", destacando que soluções inovadoras precisam de financiamento e espaço para se tornarem realidade. Ela provocou o público a pensar: "Sustentabilidade para quem? Para o quê? E onde?"​. Essas falas reforçam a importância de incluir novas narrativas e perspectivas culturais nas políticas climáticas, ampliando o diálogo para além dos dados e acordos formais.

Mulher indígena do povo Borari de Alter do Chão, graduada em turismo, co-fundadora da Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós.

Leila Borari

A presença dos povos indígenas no evento trouxe uma perspectiva crucial para as discussões. Leila Borari (Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós e Amazônia de Pé) ressaltou: "Imagina falar de clima sem considerar os povos indígenas, que mais contribuem para o equilíbrio do planeta". A cultura indígena foi apresentada como um forte aliado para a mobilização e preservação ambiental, conectando a urgência climática com um olhar para o futuro ancestral​.

Caminhos para a Ação: Bioeconomia, Energia e Agricultura

Durante o evento, foram exploradas soluções práticas, como o fortalecimento da bioeconomia e da agricultura sustentável. “A bioeconomia é um novo modelo de desenvolvimento sustentável”, afirmou Juliana Lopes (CEBDS), reforçando que o Brasil tem uma oportunidade histórica para liderar pelo exemplo e se tornar carbono neutro e positivo.

Além disso, o evento debateu os desafios da transição energética, destacando a necessidade de abandonar combustíveis fósseis e adotar energias renováveis. A COP28, mencionada nas discussões, marcou um ponto de virada global ao formalizar a urgência dessa transição. No entanto, como destacou Christian Orglmeister (Suzano), “é nos territórios que a mudança acontece”, ressaltando a importância de alinhar as iniciativas globais às realidades locais​.

O Brasil, como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, tem papel fundamental na agricultura sustentável. O debate no Esquenta COP trouxe à tona o potencial dos sistemas agroflorestais e da agricultura de baixo carbono para mitigar as emissões e adaptar o setor às mudanças climáticas. Esses temas reforçam que a crise ambiental é também uma crise econômica e social, demandando novas práticas e modelos de negócios​.

Mobilizando para um Futuro Ancestral e Sustentável

Uma das principais mensagens do evento foi a de que a transformação climática necessária é radical e coletiva. “Cada grau conta, cada emissão de carbono faz diferença”, afirmou Thiago Jesus (People’s Palace Project), convidando o público a agir de forma consciente e responsável. Ana Santos complementou: “Nós somos o meio ambiente, fazemos parte disso tudo”, lembrando que a luta pela sustentabilidade é uma questão pessoal e comunitária​.

O Esquenta COP enfatizou que a mudança passa pela inclusão de diferentes vozes e saberes. “As negociações do clima precisam incluir nossos parentes, como parte essencial dessas mobilizações”, destacou Camila Oliveira, Gerente Geral de Conteúdo do Museu do Amanhã, reforçando a importância de envolver os povos indígenas nas decisões políticas. Para além das negociações formais, o evento foi um chamado para a mobilização cultural e comunitária, alinhando tradição e inovação na construção de soluções climáticas​.

Associate Curator at the Museum of Tomorrow, Camila has over 10 years of experience in the conception, implementation, and management of cultural projects, focusing on curating and training programs in museums and cultural centers.

Camila Oliveira

Como reflexão final, Leila lembrou que “o futuro é ancestral”, enfatizando que a preservação das tradições e da natureza é essencial para garantir um futuro próspero. O evento não apenas reforçou a urgência climática, mas também inspirou o público a se ver como agentes de transformação. A jornada rumo à COP30 é uma oportunidade de liderar uma nova era de ação climática baseada na cultura, imaginação e esperança ativa​.



Por Museu do Amanhã