Explorando a relação entre cidade e floresta: Entrevista com a artista franco-marroquina Chourouk Hriech

06/07/2023
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No coração de Marselha, reside a artista franco-marroquina Chourouk Hriech, cuja paixão por explorar a interação entre cidade e floresta tem conquistado reconhecimento internacional. Com obras que combinam fotografias, desenhos e instalações in situ, Chourouk oferece uma perspectiva única sobre essa relação complexa. Recentemente, ela trouxe seu projeto para o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, onde encontramos um momento para conversar sobre suas inspirações e impressões. Nesta entrevista exclusiva, Chourouk compartilha suas reflexões sobre o “caos organizado” do Rio, a influência da natureza na arquitetura e a importância dos pássaros em seu trabalho.

Chourouk Hriech por Valentin Le Cron

Pergunta: Olá, Chourouk! É um prazer tê-la conosco. Você mencionou o “caos organizado” do Rio como algo que chamou sua atenção. Poderia nos falar mais sobre isso?

Chourouk: Certamente! Ao chegar ao Rio de Janeiro, imediatamente me deparei com um fenômeno fascinante: o que eu chamo de “caos organizado”. Essa expressão captura a essência do que estou explorando em meu projeto no Museu do Amanhã. O Rio é uma cidade que transmite uma sensação de movimento constante, mudando de aparência e atmosfera ao longo do dia e da noite. Essa instabilidade me tocou profundamente e tem sido uma fonte constante de inspiração para minha arte.

Pergunta: Em relação à sua obra, como você explora a relação entre a floresta e a arquitetura?

Chourouk: A relação entre a floresta e a arquitetura é uma temática central em meu trabalho. Existe uma interação intrínseca entre esses dois elementos. Por um lado, a floresta é um ecossistema natural, independente da influência humana. Por outro lado, a arquitetura é uma criação humana, moldada por nossas necessidades e pensamentos. O que acho particularmente interessante é a imaginação coletiva que permeia essa relação, transcendendo os limites que nos separam. Como seres humanos, estamos constantemente imaginando, projetando e nomeando coisas em nossa interação com a natureza. No entanto, muitas vezes nos tornamos inadequados em relação ao nosso ambiente, sentindo a necessidade de interferir e moldá-lo à nossa imagem.

Pergunta: Como você incorpora essas ideias em suas obras de arte?

Chourouk: Meu objetivo é criar uma sinfonia e uma coreografia através de meus desenhos, fotografias e instalações. Ao observar meus trabalhos, é possível reconhecer elementos familiares e reconstruir essas visões, esses mundos que atravesso. No entanto, também há espaço para dúvidas e interpretações abstratas. Essa tensão entre o reconhecível e o abstrato reflete a complexidade dessa relação entre cidade e floresta. Em última análise, quero que meus trabalhos transmitam a sensação de equilíbrio entre minha interpretação gráfica e o deslocamento de imaginações, tanto minhas quanto do público.

Pergunta: Você mencionou a presença dos pássaros em seu trabalho. O que eles representam para você?

Chourouk: Os pássaros têm sido uma figura essencial em minha arte há mais de duas décadas. Para mim, eles personificam a liberdade absoluta. Ao contrário dos seres humanos, os pássaros não precisam de passaportes ou vistos para explorar o mundo. Eles são como nuvens que flutuam livremente pelo céu. A figura do pássaro simboliza essa capacidade de escapar das limitações e fronteiras impostas pelo homem. Eles são uma inspiração constante em minha jornada artística.

Les plantes à perles Chourouk Hriech Dessin preparatoire pour les toiles Museo da manhana Rio 2023

Através de sua perspectiva única e multifacetada, Chourouk nos convida a explorar a complexa relação entre cidade e floresta. Suas obras, uma combinação de desenhos, instalações e fotografias, capturam a essência do “caos organizado” encontrado no Rio de Janeiro. Ao mesclar o reconhecível com o abstrato, Chourouk cria uma sinfonia visual que nos faz refletir sobre nossa interação com a natureza e as fronteiras que construímos. Seus pássaros simbolizam a liberdade e a busca por um equilíbrio entre nossas criações e o mundo natural que nos cerca. Com sua voz artística distinta, Chourouk nos convida a repensar nossa relação com o ambiente e a explorar novas perspectivas sobre a interconectividade entre cidade e floresta.

A partir do dia 11 de Julho, O Museu do Amanhã, em parceria com o Consulado Geral da França e Goethe — Institut Rio de Janeiro, recebe a exposição — instalação Uma Cidade na Floresta, da artista franco-marroquina Chourouk Hriech.

Por Museu do Amanhã