O pequeno e misterioso planeta Mercúrio, o mais próximo do sol em nosso Sistema Solar, vem desafiando e surpreendendo cientistas planetários há décadas. Recentemente, uma nova pesquisa revelou uma característica intrigante: Mercúrio está encolhendo.
De acordo com um estudo publicado na revista Nature Geoscience, conforme o planeta perde calor, sua superfície enrugada encolhe. Essas “rugas” são formações conhecidas como “escarpas”, as quais são comparadas pelo professor David Rothery, da Open University do Reino Unido, às rugas que surgem em uma maçã à medida que ela envelhece. A primeira evidência desse fenômeno remonta a 1974, quando imagens da missão Mariner 10 da NASA revelaram estas escarpas de vários quilômetros de altura.
Mais revelações foram trazidas pela sonda Messenger, que orbitou Mercúrio entre 2011 e 2015, detectando ainda mais destas formações. Segundo Rothery, essas observações permitiram deduzir a presença de falhas geológicas subterrâneas conhecidas como impulso, evidenciando um encolhimento total de cerca de 7 km no raio do planeta. No entanto, as escarpas, na sua maioria, têm uma idade estimada de 3 bilhões de anos.
Para provar que as mudanças ainda estão em curso, os pesquisadores voltaram sua atenção para outra formação: as grabens. Estas são estruturas menores, com apenas cerca de 1 km de comprimento e menos de 91 metros de profundidade. Surpreendentemente, essas estruturas têm uma expectativa de vida de até 300 milhões de anos. No recente estudo, os cientistas identificaram 48 grabens definitivas e outras 244 prováveis, todas captadas pela sonda Messenger em 2015. Isso reforça a ideia de que Mercúrio está passando por transformações geológicas ativas.
Além das mudanças físicas na superfície do planeta, a pesquisa revelou que Mercúrio sofre com tremores, semelhantes aos terremotos terrestres, mas que Rothery brinca chamando de “mercuriomotos”. Isso ocorre devido ao encolhimento contínuo do planeta, causando deslocamentos em sua crosta rígida.
Os cientistas estão ansiosos pelo próximo capítulo na exploração de Mercúrio. A sonda espacial BepiColumbo, que já havia registrado uma imagem do planeta em 2021, está programada para trazer novas imagens em alta resolução em breve. Até lá, o mistério de Mercúrio continuará a fascinar e inspirar a comunidade científica.
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Por Museu do Amanhã