A COP (Conferência das Partes) é o principal fórum internacional para discutir e negociar soluções para a crise climática. Desde sua criação em 1995, reúne governos, cientistas, sociedade civil e comunidades para definir metas e ações concretas que ajudem a conter o aquecimento global e reduzir as emissões de gases de efeito estufa(Dia 03. Cultura e Clima…). Além de ser um espaço oficial para monitorar políticas climáticas, a COP também promove encontros paralelos que ampliam as discussões e fortalecem a cooperação internacional.
O Brasil está em uma posição estratégica para liderar essas discussões, principalmente com a COP30, que ocorrerá em Belém, em 2025. Diante dessa responsabilidade, o Museu do Amanhã organizou o evento Esquenta COP: Emergência Climática em Pauta, um ciclo de debates e palestras que conecta a sociedade às pautas da COP. O objetivo foi mobilizar pessoas e setores em torno de questões urgentes, como transição energética, agricultura sustentável e a intersecção entre cultura e clima, promovendo um espaço de reflexão coletiva.
O Esquenta COP destacou a necessidade de repensar a crise climática como uma crise multidimensional, que envolve tanto aspectos sociais quanto culturais. Para Thiago Jesus (People’s Palace Project) "pensar a crise climática, cultura e território é uma coisa só". Ele reforçou que enfrentar essa crise demanda respeito e reconhecimento das comunidades tradicionais, que já desempenham um papel essencial na preservação dos ecossistemas.

Marcele Oliveira (PerifaLab) acrescentou que "a crise climática é também uma crise de imaginação", destacando que soluções inovadoras precisam de financiamento e espaço para se tornarem realidade. Ela provocou o público a pensar: "Sustentabilidade para quem? Para o quê? E onde?". Essas falas reforçam a importância de incluir novas narrativas e perspectivas culturais nas políticas climáticas, ampliando o diálogo para além dos dados e acordos formais.

A presença dos povos indígenas no evento trouxe uma perspectiva crucial para as discussões. Leila Borari (Associação de Mulheres Indígenas Suraras do Tapajós e Amazônia de Pé) ressaltou: "Imagina falar de clima sem considerar os povos indígenas, que mais contribuem para o equilíbrio do planeta". A cultura indígena foi apresentada como um forte aliado para a mobilização e preservação ambiental, conectando a urgência climática com um olhar para o futuro ancestral.
Durante o evento, foram exploradas soluções práticas, como o fortalecimento da bioeconomia e da agricultura sustentável. “A bioeconomia é um novo modelo de desenvolvimento sustentável”, afirmou Juliana Lopes (CEBDS), reforçando que o Brasil tem uma oportunidade histórica para liderar pelo exemplo e se tornar carbono neutro e positivo.
Além disso, o evento debateu os desafios da transição energética, destacando a necessidade de abandonar combustíveis fósseis e adotar energias renováveis. A COP28, mencionada nas discussões, marcou um ponto de virada global ao formalizar a urgência dessa transição. No entanto, como destacou Christian Orglmeister (Suzano), “é nos territórios que a mudança acontece”, ressaltando a importância de alinhar as iniciativas globais às realidades locais.
O Brasil, como um dos maiores produtores agrícolas do mundo, tem papel fundamental na agricultura sustentável. O debate no Esquenta COP trouxe à tona o potencial dos sistemas agroflorestais e da agricultura de baixo carbono para mitigar as emissões e adaptar o setor às mudanças climáticas. Esses temas reforçam que a crise ambiental é também uma crise econômica e social, demandando novas práticas e modelos de negócios.
Uma das principais mensagens do evento foi a de que a transformação climática necessária é radical e coletiva. “Cada grau conta, cada emissão de carbono faz diferença”, afirmou Thiago Jesus (People’s Palace Project), convidando o público a agir de forma consciente e responsável. Ana Santos complementou: “Nós somos o meio ambiente, fazemos parte disso tudo”, lembrando que a luta pela sustentabilidade é uma questão pessoal e comunitária.
O Esquenta COP enfatizou que a mudança passa pela inclusão de diferentes vozes e saberes. “As negociações do clima precisam incluir nossos parentes, como parte essencial dessas mobilizações”, destacou Camila Oliveira, Gerente Geral de Conteúdo do Museu do Amanhã, reforçando a importância de envolver os povos indígenas nas decisões políticas. Para além das negociações formais, o evento foi um chamado para a mobilização cultural e comunitária, alinhando tradição e inovação na construção de soluções climáticas.

Como reflexão final, Leila lembrou que “o futuro é ancestral”, enfatizando que a preservação das tradições e da natureza é essencial para garantir um futuro próspero. O evento não apenas reforçou a urgência climática, mas também inspirou o público a se ver como agentes de transformação. A jornada rumo à COP30 é uma oportunidade de liderar uma nova era de ação climática baseada na cultura, imaginação e esperança ativa.
Por Museu do Amanhã